No meio da rua
* Por Nei Duclós
A
casa do passageiro
é
o meio da rua
por
isso esse ar de loucura
por
isso esse andar
de
banda. essa voz
que
inflama. esse olhar
de
lua
por
isso essa dor que
não
recua
A
cama do passageiro
é
o amor de campanha:
armar
o dia
manter
o fogo
cobrir
a fuga
por
isso esse chamado
quando
passa adiante
essa
vontade
que
alguém lhe acompanhe
O
medo do passageiro
é
sentir-se um estranho
por
isso sorri
enquanto
morre de fome
(ele
nasceu, teve um sonho
mas
o caminho, longo demais
lhe
rouba o sangue)
No
meio da rua
o
coração do passageiro
bate
o bumbo
*
Autor de livros de poesia, entre os quais: “Outubro” (1975), “No meio da rua”
(1979) e “No mar, Veremos” (2001); e de um romance: “Universo Baldio” (2004).
Jornalista desde 1970 e bacharel em História. Trabalha em Florianópolis, onde é
editor-executivo de duas revistas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário