Ausência de líderes
* Por Roberto Corrêa
Após uma semana de manifestações diárias, nas capitais e principais
cidades esbanjando reivindicações, já conhecidas em sua maioria e os
administradores entendendo-as democráticas e condenando apenas o vandalismo e seus
excessos, há necessidade agora de frutíferos diálogos. O sério problema que se
nos apresenta é a ausência de líderes entre os manifestantes. Exatamente não
sabem posicionar quais as reivindicações mais importantes, ou seja, escalonar a
ordem das prioridades.
De um modo geral acredito que os cidadãos almejam a queda dos impostos e
com isso o aumento do poder aquisitivo e melhora de vida. Se das notas fiscais
se descrevem os impostos da operação financeira, nada mais benéfico para o
contribuinte-comprador que 50% dos mesmos fossem abatidos ou cancelados. Tal
deveria ocorrer também no preço dos combustíveis, de maneira que toda a
população sentiria na carne os benefícios dessa nova política tributária.
Outra benesse que agradaria a uma grande maioria seria o perdão ou
cancelamento das dívidas tributárias (dívida ativa) até um x, por exemplo,
cinquenta mil reais, e longo parcelamento sem juros e acréscimos para as
demais. Se o Brasil empresta bilhões para outros países e até perdoa essas
dívidas, porque não fazê-lo em benefício dos seus próprios cidadãos?
A presidente parece estar entendendo o recado e convida seus ministros,
governadores e demais entendidos na matéria para debaterem o assunto e
apresentarem medidas que atendam as reivindicações. Deu a entender em sua fala
que recursos da Petrobrás serão destinados para a educação e quanto à saúde
cogita até de contratar médicos do exterior.
Realmente os problemas administrativos que vêm se agravando e acumulando
há dezenas de anos, não poderão ser resolvidos com uma única tacada, de maneira
que os cidadãos deverão recompor a paciência com as providências a serem
tomadas sem demora e com persistência.
Mais uma vez o espírito religioso que envolve os cristãos brasileiros
faz-nos lembrar de consoladores adágios como aquele de que “há males que vêm
para o bem”, “depois da tempestade vem a bonança”, “antes tarde do que nunca” e
assim por diante. E, nada mais recomendável, dentro desse mesmo espírito,
súplicas para a infinita e Divina Misericórdia nos atender.
* Roberto Corrêa é sócio do Instituto dos Advogados de São Paulo, da
Academia Campineira de Letras e Artes, do Instituto Histórico, Geográfico e
Genealógico, de Campinas, e de clubes cívicos e culturais, também de Campinas.
Formou-se pela Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo. Fez pós-graduação em Direito Civil pela USP e se
aposentou como Procurador do Estado. É autor de alguns livros, entre eles
"Caminhos da Paz", "Direito Poético", "Vencendo
Obstáculos", "Subjugar a Violência”, Breve Catálogo de Cultura e
Curiosidades, O Homem Só.
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