Desapego
* Por
Núbia Araujo Nonato do Amaral
Já me desfiz de quase
tudo, roupas antigas em bom estado, bijuterias, quinquilharias, brincos
dourados e pulseiras coloridas. Sapatos, sandálias que nem combinam com meus
pés tão familiarizados com a dureza do chão.
Espelhos são
raridades, já conheço meu rosto de cor e salteado. As flores perecem no galho que
o tempo seja o seu algoz.
De uma coisa ainda não
me desfiz, da poesia. Tentei ver-me sem ela. Tentei despir-me dela. Tentei
rezar sem ela...
Que me perdoem os
deuses, mas esta parceria é com os anjos que cansados de uma cadência
repetitiva sopram-me faíscas.
* Poetisa, contista, cronista e colunista do
Literário
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