Bolsa ditadura
* Por
Fernando Spanghero
Diante de tanta
notícia ruim sobre os malfeitos de nossas autoridades que atiraram o país neste
enorme abismo de lama, corrupção e roubalheira desenfreada, alguns benefícios
inescrupulosos tendem a submergir ante a grandeza das patifarias que
diariamente são desnudadas. Óbvio que, não é comum em nenhuma nação, por mais
bandidos que possam estar encastelados em seus centros de comando e decisão,
solicitar-se a prisão de ex- Presidente da República, de ex-Ministro líder de
governo, do Presidente do Congresso e do Presidente da Câmara dos Deputados, já
afastado a bem da moral da casa. Isto sem se contar que, há menos de 30 dias se
apeou do poder a Presidente da República. Configurando-se os delitos, e,
atendendo-se a pretensão do Procurador Geral da Republica, é uma vassourada sem
precedentes na recente história da nossa jovem e instável democracia.
Tais fatos, por sua
robustez e gravidade, tendem a deixar fora do foco dos noticiários outras
tramóias, que apenas são esquecidas, pela falsa legalidade que lhes é dada pela
mesma classe política que hoje amiúda-se ante à triste realidade que a quase
todos envolve e assombra. Quando nos estertores do governo de Fernando Henrique
Cardoso, o Congresso Nacional aprovou a lei 10.559; simplesmente denominada de
Bolsa Ditadura; possivelmente, não se imaginava a esculhambação que viria a ser
nas mãos dos governos petistas que se seguiriam.
Logo percebida como
uma excepcional fonte de renda, diversos aproveitadores, com a chancela
governamental, passaram a exigir do Estado, compensações financeiras, por
eventuais problemas tidos durante os governos revolucionários, agindo como se a
luta contra o sistema repressor fosse mais uma questão de investimento do que
de ideologia. E mais uma vez, a farra com o dinheiro publico correu solta,
beneficiando espertos de toda sorte. Gente que passou a ditadura sentada nas
calçadas de Ipanema questionando o sistema a goles diários de chopp e uísque,
como Jaguar e Ziraldo, pediram e receberam gordas indenizações (a época mais de
R$ 1 milhão cada) afora uma “aposentadoria” mensal. Gente que chegou a escrever
editoriais favoráveis ao sistema como Cony também levou o seu (R$1,3 milhões de
indenização) e mais uma gorda “aposentadoria” mensal. Gente como as viúvas de
Carlos Lamarca, assassino e assaltante de bancos que traiu e matou seus
companheiros de farda, e a de Chico Mendes, que foi assassinado por motivos que
nada tem a ver com a luta política contra a ditadura, também levaram o seu.
Gente como a ex envolvida em assaltos Dilma Roussef que faturou 3 indenizações
e, gente com o ex- sindicalista Luiz Ignácio da Silva, que, por promover
desordens e chefiar piquetes grevistas em frente de fábricas ficou detido 31
dias e por isso recebe há vários anos uma jabá que hoje é superior a R$
6.000,00 mensais. Gente como o presidente do PT Ruy Falcão, que mama apenas por
ter sido sindicalista.
Enquanto isso, gente
que lutou contra o sistema e saiu do país para o exílio, como Fernando Gabeira
e José Serra, gente que combateu a ditadura escrevendo e emitindo opiniões
diárias contrárias ao sistema, como Milôr Fernandes, tiveram a decência de não
se locupletarem com o benefício, exatamente por entenderem que ideologia não é
investimento e uso de opinião não é coisa que se venda e se pague, diferente
dos milhares que se locupletam com a boquinha. A farra corrigida já custou ao
contribuinte mais de R$ 20 bilhões e cresce a cada mês, graças a ideologia
petista de resultados!
*
Jornalista e poeta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário