Pílulas literárias 167
* Por
Eduardo Oliveira Freire
FERNANDO...
Sempre
aguardava ansioso, a professora Helena dar o parecer sobre seu mais novo
romance. Executava cada recomendação sem pestanejar e se sentia extasiado,
quando ela dizia: - Agora sim, está publicável.
A professora Helena foi
praticamente a única leitora dos livros de Fernando.
****
VIOLÊNCIA E LIBERDADE
Pegaram-me a força para me despedir do meu avô morto.
-
Para de bobagem, menino. Vai se despedir pela última vez de seu avô.
Não
foi a última vez que me despedi, mas a cada lembrança e sonho que tenho com
ele: O vovô alegre e brincalhão, não aquela massa inerte.
****
SOBRINHA PARA TIO:
- Tio Dudu!! Manda a multidão que mora no seu eu ficar quieta. Quero dormir! Tenho prova de matemática de manhã cedo.
****
COBRA AMIGA
Passava a maior parte do tempo com seu dono. Muitos achavam curioso a ligação de amizade entre o senhor e “ aquela cobra gigante”. Com o passar do tempo, o senhor ficou muito doente e gritava de dor. Um dia, o silêncio pairou e encontraram a sucuri sozinha na cama.
****
SUMIR NAS ONDAS
A senhora faz um origami e dá para uma amiga de muitos anos, que o coloca na bolsa. O marido da que deu o origami, aproveitando a distração das duas, retira-o da bolsa da amiga e o joga no mar. Depois, olha fixamente a figura de papel sumir nas ondas.
* Eduardo Oliveira
Freire é formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense,
com Pós Graduação em Jornalismo Cultural na Estácio de Sá e é aspirante a
escritor
Nenhum comentário:
Postar um comentário