Fotos: Clóvis Campêlo
O Galo da Madrugada dos 500 anos
* Por Clóvis Campêlo
Todo mundo sabe que, no Recife, o sábado de Zé Pereira transformou-se no sábado do Galo da Madrugada.
A coisa começou
timidamente, em 1978, na Rua Padre Floriano, no bairro de São José, quando
Enéas Freire criou o clube de máscaras e alegorias que se transformaria em um
dos itens mais referenciados do carnaval pernambucano. Diga-se de passagem,
aliás, referenciado e reverenciado. Naquele mesmo ano, ao lado de 17 outros
pioneiros, o Galo desfilou pela primeira vez nas ruas de São José.
Em 1995, o Galo da
Madrugada foi oficialmente considerado pelo Guinness Book - o livro dos
recordes - como o maior bloco de carnaval do mundo.
De lá para cá, o Galo
só fez crescer. Segundo estimativas, neste ano de 2013 o Galo teria arrastado
2,5 milhões de pessoas pelas ruas do Recife, para alegrias de uns e tristezas e
críticas de outros.
Para alguns, o Galo da
Madrugada atual modificou de forma negativa o carnaval do Recife, deixando de
lado a sua proposta original e se transformando num carnaval empresarial e que
imita, na sua forma, o carnaval da Bahia. As ruas fechadas para a construção de
camarotes, excluiria os foliões do trajeto do bloco, privilegiando quem tem
condições de pagar por um camarote e assistir o desfile.
Para nós, que o
acompanhamos a algum tempo, não restam dúvidas de que o clube hoje está
inserido na indústria do entretenimento, transformando-se em fonte de lucro
para os que o fazem e esquecendo da importância da participação popular, que,
hoje, limita-se a ocupar as ruas periféricas do bairro de São José.
No entanto, apesar de
toda essa discussão, o Galo permanece fazendo o carnaval do Recife e servindo
de referência mundial. A cada ano, aparece com uma indumentária nova ou com
alguma outra novidade que chame a atenção de todos.
No ano 2000, quando
comemorava-se os 500 anos da descoberta do Brasil, o Galo da Madrugada, cujas
cores oficiais são azul, branco, amarelo, vermelho e verde, vestiu-se com as
cores da bandeira brasileira e integrou-se aos festejos comemorativos,
colorindo a cidade de verde, amarelo, azul e branco.
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Poeta, jornalista e radialista
Grato mais uma vez, meu velho. Abraços
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