Conversa de passarinhos
* Por Núbia Araújo Nonato
do Amaral
No interior da mata, do alto
de uma frondosa árvore, dois pássaros confabulam. O belo
Galo-da-Serra com sua plumagem alaranjada e tão vistosa pensa em dar
um trato na sua aparência, afinal está quase na época do
acasalamento. O amigo Tuiuiú o acalma elogiando a sua beleza, com
todo o respeito, é claro.
Os dia se passam e o festival
de exibicionismo começa. O belo sacode as asas daqui, empina o
peito dali, arrisca uns gorjeios e nada! São tantos os pretendentes
que as fêmeas o ignoraram. Nem a sem graça da Seriema o olhou.
O Galo-da-Serra desceu e foi
até a beira do lago para ver se havia algo de errado com a sua
aparência. Espia daqui, confere dali e, num suspiro conformado, se
achando o mais belo dos belos, certifica-se de que não há nada de
errado com ele.
No dia seguinte, novo desfile,
mas dessa vez ele fica lá de cima espreitando uma possível parceira
até que a viu. Ela era diferente, as formas mais arredondadas,
olhinhos espertos, um pitéu! Parecia meio perdida, se assustava com
as investidas e aquele seu jeitinho de inocente ouriçava os machos
de plantão.
Afinal,...de onde saiu aquela
fêmea tão incomum? E aquele seu gingado que desarrumava? As fêmeas,
preocupadas com a concorrente, começaram a dar mole para qualquer
um. Galo-da-Serra foi logo tratando de dispensar a Seriema, que saiu
ventando.
O amigo Tuiuiú, sabendo do
alvoroço, voou até lá e se acercou das novidades. Vendo a
empolgação do amigo, pediu que lhe mostrasse a tal beldade. O
belo apontou na direção da sua musa entre suspiros.
Tuiuiú olhou, olhou e depois
de muito ponderar, bateu nas costas do amigo desencorajando-o: “Sai
dessa amigo, ela é uma galinha”.
*
Poetisa, contista, cronista e colunista do Literário
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