Antigamente, mas nem tanto...
* Por
Maria Luiza Falcão
Aprendi em casa, no
seio familiar, a respeitar os mais velhos.
Este termo, naquele
tempo, era geral. Explico: todo universo de pessoas que não fosse mais novo ou
não estivesse entre os “coleguinhas”, era mais velho. É claro que para as
crianças, fácil era identificar como mais velhos aqueles que “se pareciam” com
os pais. Mais velhos ainda os que se assemelhavam de alguma forma aos avós. A
expressão “tia/tio” definia o parente consangüíneo ou era dedicada à
professora, a tia da escola. E a todos estes “mais velhos”, é claro, tratávamos
de “senhor ou senhora”.
Era fácil distinguir
as pessoas seguindo estes critérios. E como aos mais velhos cabia a educação e
proteção dos mais novos, a vida de criança era bem mais simples.
Em casa (é claro que
me refiro aos lares harmoniosos), papai e mamãe cuidavam, davam carinho, amor, mas
também davam bronca, colocavam de castigo etc… tudo muito natural. Fora de
casa, era possível ir tranquilamente ao comércio da região – padaria, farmácia,
mercado – pois a não ser pelo cuidado na hora de atravessar a rua, de resto
éramos sempre cuidadosos. Um vizinho no caminho nos conhecia e nós a ele, os
comerciantes sabiam de onde vínhamos, as famílias tinham o endereço de cada
uma, e não raro se tratavam pelo nome. Falar nome feio diante de um mais velho,
nem pensar! Dentro ou fora de casa, havendo um mais velho, o respeito imperava.
Fazer algo errado? Fora de cogitação. Um mais velho com certeza iria contar
para nossos pais.
Ainda que nem tanta
intimidade houvesse, ser criança significava que alguém sempre estaria olhando
por nós, e ser adulto – ou mais velho – pressupunha cuidar dos mais novos.
Simples assim.
Uma vida vigiada,
porém segura. Pessoas se vigiavam amorosamente, se cuidavam, se importavam umas
com as outras.
Nenhuma máquina
moderna é capaz disso: nem câmeras, alarmes, sistemas de segurança. O que lhes
sobra de tecnologia, falta de sentimento.
* Escritora
e artista plástica
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