Não temos carisma, temos eficiência!
* Por
Fernando Yanmar Narciso
“Ai
me dá um desespero
Quando
eu penso na eleição
Vou
ficar um ano inteiro
Aguentando
mala na televisão”
Casseta
& Planeta
Agora é pra valer!
Chegou o grande momento, a hora da virada, a “festa da democracia”! Dia cinco
de outubro vem dobrando a esquina, e se você for como eu, mal pode se segurar
de expectativa com o futuro da nação. Em poucos dias teremos um novo/a
presidente da República! Isso não é ótimo? (Som de grilos e cigarras)
Ironias à parte, por
que a eleição presidencial é vista pela maioria das pessoas não como o momento
mais importante do país mas como um martírio, uma Via Sacra, um castigo pior
que as sessões de tortura nos porões do DOPS, às quais nossa atual presidenta
sobreviveu com louvor? Mesmo eu, um apaixonado por política, não poderia me
importar menos com essa campanha nem se me esforçasse.
As opções à disposição
do eleitor nas atuais campanhas em rádio, TV e internet nos parecem tão
atrativas quanto aquele pedaço mastigado e babado de sei-lá-o-que que seu
cachorro trouxe da rua, não acha? De tantos partidos que há no país (atualmente
somam quase 35) e com tantos rostos novos aparecendo esporadicamente na cena
política, esses três que encabeçam o Ibope são realmente o melhor que eles
tinham a nos oferecer?
Não conseguimos ter
empatia por nenhum candidato há anos, todos cobertos numa manta de pragmatismo
e eficiência que, sem querer ofendê-los, não lhes cai tão bem como pensam. Você
olha para aqueles três e imagina se não estaria, na verdade, tendo que escolher
entre o leite de magnésia, o óleo de rícino e o Plasil. Por mais que o 2º e o
3º colocados tentem se vender como a novidade, as opções à tangente da atual
conjuntura, já os conhecemos de outros carnavais, são tão old-school ou mais do
que a presidenta.
E por outro lado,
quando pomos os olhos nos candidatos que vêm abaixo destes, aí sim temos
certeza de que o mundo da política parou no tempo! O grande “muso” inspirador
de alguns deles publicou seu grande manifesto filosófico contra o status quo no
século XIX, e sequer acreditava que suas ideias revolucionárias pudessem ser
postas em prática no mundo real.
Quanto aos outros, um
deles já se candidatou à presidência tantas vezes que tenho quase certeza que o
plano dele é chegar ao poder vencendo pelo cansaço. E outro fala há tantos anos
que vai baixar o preço do leite, do arroz, do feijão e do pão que ele mostra na
propaganda eleitoral as mesmas embalagens que mostrava lá em 2002.
Uma coisa que devemos
nos lembrar em tempos de eleição é que a situação não é nem tão boa quanto nas
propagandas do Governo e nem tão catastrófica quanto no quadro que a oposição
tenta pintar. O país melhorou sim, gente, só não enxerga quem não quer! Claro
que ainda há muito a ser feito pela saúde, pela segurança e pela educação,
questões eternas na política nacional, mas no geral a coisa nem de longe está
tão feia como a grande mídia nos faz pensar.
Precisam de provas?
Outro dia eu pagava por uma conta no caixa de uma lanchonete, e do meu lado
estava um vendedor de rede... Com um IPHONE no ouvido! Quando e como isso seria
possível há 20 anos? Dada vez, ouvi no shopping da cidade duas moças, que nem
jeito de abastadas tinham, reclamando com a balconista do sushi bar que o preço
do temaki estava um verdadeiro assalto! Noutros tempos esse tipo de discussão
pareceria saída de um conto de Dias Gomes!
A única bandeira que a
oposição pode levantar, para pelo menos tentar lamber a tigela da batedeira, é
o combate à corrupção. Só que, de um jeito ou de outro, não houve gestão mais
empenhada em combater desmandos de seus integrantes que o atual. Vocês podem
até dizer que é escândalo que não acaba mais, que toda semana aparece uma
maracutaia nova, coisa e tal. Mas e em governos anteriores, que os casos sequer
vinham a público, e quando já não tinha mais jeito de escondê-los o próprio
partido da situação faltava apostar a mãe no pôquer para barrar as
investigações?
Dá tanta saudade dos
debates da primeira eleição pós- ditadura militar, em 89! Absolutamente
informais e humanos, a única preocupação dos candidatos era ironizar, pisar nos
calos do adversário sem a menor censura... Se naquele tempo já eram poucos os
que podiam realmente revolucionar o país recomeçando tudo do zero, imagina
hoje? A diferença era que naquele tempo a população vivia tão desesperada com o
quadro geral que qualquer um servia no lugar do presidente. Já hoje, todos os
candidatos têm cara e jeitão de “qualquer um”...
*
Escritor e designer gráfico. Contatos:
HTTP://www.facebook.com/fernandoyanmar.narciso
cyberyanmar@gmail.com
Conheçam
meu livro! http://www.facebook.com/umdiacomooutroqualquer
Bateu em todo mundo como se fossem e fôssemos uns coitados. Algum dia nosso país não será mais "pobre Brasil". Então diremos que chegamos lá. Sobre o passado, há 20 anos a minha lavadeira vinha trabalhar de "vestidão", pano na cabeça e chinelo de borracha de tiras diferentes. Agora ela tem sofá, tanquinho, TV tela plana e vem de carro. No último Natal ela trocou tudo, e em sua porta o caminhão de lixo teve trabalho para levar os eletro-domésticos desovados. Sendo assim, a oposição tem de trabalhar muito para convencer o eleitorado que tudo piorou e está um caos. Quem discursar melhor leva o prêmio. Esperemos, pois.
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