Fotos: Clóvis Campêlo
Igreja Basílica de Nossa Senhora do Carmo
* Por
Flávio Guerra
O
inventário dos prédios construídos pelos holandeses do Recife, organizado em
1654, logo após a expulsão dos invasores, menciona na rubrica 293: “Fronteira
às Cinco Pontas, pela banda do rio, entre a força de Santo Antônio, está uma
grande casa chamada a Boa Vista, com suas galerias e janelas, e no alto da
mesma um torreão, obra flamenga vistosa. Estas casas são quartel do ajudante de
tenente Roque Ferreira”.
Neste
palácio, que escapou da destruição da cidade Maurícia, determinada pelos
holandeses em 1645, quando praticamente rebentou a luta pela restauração
pernambucana, durante muito tempo habitou o conde Maurício de Nassau, que o
tinha como residência de recreio, pela sua bela posição, plantado à beira de
ameno rio e voltado para o continente, no lado do poente.
E o nome
de Boa Vista, Schoonzit no holandês, foi mesmo determinado pelo conde alemão,
governador dos flamengos no Brasil, justamente em virtude daquela posição
urbana.
Em época
não precisada, porém que se determina como sendo antes de 1675, foi feita aos
religiosos carmelitas a doação do referido palácio, que estava em ruínas, a fim
de que nele estabelecessem “um hospício e uma capela na banda do Recife”, sendo
seu primeiro prior o padre Frei Cristovão de Cristo.
E
aceitamos aquele ano de 1765 baseado em informes de Pereira da Costa, que diz
haver verificado uma carta régia expedida naquele ano “mandando que os frades
do Carmo existente no Recife se recolhessem ao convento de Olinda”, o que dava
a entender haver outro no Recife.
A verdade
é que desde 1672 o Conselho Ultramarino negava autorização aos padres
carmelitas para construir um Convento no Recife, devendo, sim, restaurar e
utilizar breve o de Olinda, que fora incendiado pelos holandeses.
Mas em
1674, a 12 de setembro, o mesmo Conselho mudava de opinião e se manifestava
favorável à concessão aos ditos padres dos terrenos no Recife “para levantar a
sua nova Igreja e Recolhimento”, embora com isso tivesse a coroa que enfrentar
um “autêntico corredor de queixas” encaminhadas pela Câmara de Olinda,
protestando contra a “cessão de se deixar os carmelitas construir uma suntuosa
Igreja e Convento no Recife, abandonando os de Olinda”.
Esclarece-se,
assim, que o convento dos carmelitas no Recife e respectiva Igreja, foram
fundados inicialmente nas ruínas do antigo palácio da Boa Vista, construído por
Maurício de Nassau, estendendo-se após por mais uma “grande data de terras
salgadas doadas aos religiosos”, pelo governador Aires de Souza Castro.
* Escritor
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