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Receita pra um haicai
* Por Yeda Prates Bernis
Se você quer compor um haicai,
à moda de Bashô, mesmo imperfeito,
verifique primeiro se já viveu inúmeras vidas.
Comece por despojar-se do supérfluo
das vestes da alma:
paletó de esnobismo
camisas de inquietude,
agasalhos de orgulho,
meias de apegos.
Deixe o espírito, em síntese, aquietar-se
desnudo.
Perceba o cintilar da essência de tudo
que o rodeia.
Veja o mundo com o olhar dos anjos,
faça de seus ouvidos concha de
inocência,
imite o Poeta Francisco.
Deixe que o silêncio
seja sua própria carne.
Junte, no embornal da viagem
às sendas de Oku
da vida, poucas palavras:
lua, folhagem, templo, relva, primavera,
garça, brisa.
E, por que não?
pulga, piolho, o mijo de um cavalo.
Derrame sobre elas
um punhado de estrelas
e as espalhe no papel.
*
Neblina.
Papel de seda embrulha
a paisagem.
(Do livro Encostada na Paisagem, Editora Phrasis,1998).
* Poetisa
* Por Yeda Prates Bernis
Se você quer compor um haicai,
à moda de Bashô, mesmo imperfeito,
verifique primeiro se já viveu inúmeras vidas.
Comece por despojar-se do supérfluo
das vestes da alma:
paletó de esnobismo
camisas de inquietude,
agasalhos de orgulho,
meias de apegos.
Deixe o espírito, em síntese, aquietar-se
desnudo.
Perceba o cintilar da essência de tudo
que o rodeia.
Veja o mundo com o olhar dos anjos,
faça de seus ouvidos concha de
inocência,
imite o Poeta Francisco.
Deixe que o silêncio
seja sua própria carne.
Junte, no embornal da viagem
às sendas de Oku
da vida, poucas palavras:
lua, folhagem, templo, relva, primavera,
garça, brisa.
E, por que não?
pulga, piolho, o mijo de um cavalo.
Derrame sobre elas
um punhado de estrelas
e as espalhe no papel.
*
Neblina.
Papel de seda embrulha
a paisagem.
(Do livro Encostada na Paisagem, Editora Phrasis,1998).
* Poetisa
Viver dessa forma, colocando em prática as suas sugestões é viver em puro estado de poesia, em plenitude, em êxtase na Terra. Para quem conseguir, indago: para que paraíso?
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