quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


Amor ao ódio

* Por Cacá Mendes

Ah, você não sabe o que é se construir no ódio, na verdura da vida difícil de se entender com ele. Eu me construo com ele, para que o sentido de amor em mim seja cada vez mais claro, mais profundo, daí delimito as coisas, mas não nos matizes delas, às cegas, testo-as, se possível, com as mãos, a boca, a língua e por fim o suor.

Fico tentando, a cada olhar, medir as gotas dele, no que há de sal e água, ou açúcar se houver ali. Pois acho que o amor é uma textura mais que de gesso, mais que de trinta, mais que de músculo, mais que de sangue, mais que de raça. Mas somente o há bem definido, bem praticado, se nos entendemos com o seu vizinho, o seu antônimo, o ele, que já dito foi aí em cima, e não carece de repetição. É o amor.

Todo mundo gosta de água com açúcar, e eu, por exemplo, seria capaz de comer até mais que uma colherada de; agora, de sal, embora necessário, fundamental, nem um quarto de colherada, não comeria... arg!

Então, lambemos a metáfora e deixemo-nos deitar e rolar no nela de açúcar. Até nos lambuzarmos. Ave!

Fora de órbita:

A indiscreta delinqüência burguesa, expressa por jovens estudantes de medicina, atacou violentamente por esses dias, no interior de São Paulo, um homem... Motivo: era negro e andava desprotegidamente numa bicicleta.

(http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/nacional/noticia/2009/12/12/estudantes-universitarios-sao-presos-por-agressao-e-racismo-208294.php)

Enquanto isso, em Copenhague, discutem mudanças no clima.


* Jornalista – blog: www.cronicaseg.blogspot.com

3 comentários:

  1. É fácil lidar com o amor e comer açúcar, nem tão fácil é lidar com o ódio e comer sal. Ainda pior que isso é vermos negro ser agredido por ter a cor escura e criança de dois anos sofrer torturas em que são introduzidas em seu corpo 42 agulhas. Repugnantes humanos!

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  2. Hoje, depois de tanto "apanhar", sei o que é doce
    mesmo parecendo sal.
    Sei o que é sal, mesmo estando disfarçado de açúcar.
    E, assim vou temperando a minha vida usando as medidas mais coerentes, pra fazer que o dia a dia possa valer a pena...
    Abraços

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  3. Mara e Nubia, obrigado por seus comentários! Abraços daqui

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