Infância
* Por
Murillo Araujo
À
noite (e lá por fora ia a tormenta…)
Eu
pedia a Mamãe: —Conta uma história!
E
ouvia... Cabecinha sonolenta,
Via
os reinos de fada — via a Glória.
(Havia
a ventania e a merencória
Chuvarada,
nas telhas, barulhenta)
— “Era
uma vez...” É incenso na memória
aquela
voz embaladora e lenta!
Hoje
(que diferente é cada idade!)
Mamãe
foi ver as fadas... foi talvez
morar
no Reino da Felicidade!
Hoje
sou homem, sou, vejam você.
Aì!
Vindo a noite e
vindo a tempestade
Só
da Saudade escuto: — Era
uma Vez!
Carrilhões,
1917
*
Poeta mineiro, ganhador, em 1971, do Prêmio Machado de Assis da
Academia Brasileira de Letras pelo conjunto da sua obra.
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