Réquiem
para um beija-flor adormecido
* Por
Zélia Bora
Dorme,
dorme pequenina ave.
Contigo
cessa uma. pequena centelha de vida do Infinito
que
se juntará às outras para formar de novo a vida
se
não aqui, em algum paraíso.
Oh,
pequeno ser dos céus,
tuas
peninhas verdes já não brilham
como
acontece às matas brasileiras.
Não
mais viajarás pelas flores dos jardins desta crua cidade
Não
sei se eras pai, mãe ou filho.
Nada
sei dos passarinhos, a não ser que cantam
como
brilha o sol.
Dorme,
dorme, ser da linhagem dos anjos
fizestes
a obrigação de voar,
de
carregar contigo a vida,
fazendo
nascer as flores.
Dorme
agora, pequena ave,
te
devolverei à terra.
Dormirás
feliz e, como último ato de amor,
darás
à terra teu corpinho minúsculo.
* Zélia Bora tem doutorado
em Estudos Portugueses e Brasileiros, pela Brown University, USA e
atualmente é professora de Literatura Brasileira da Universidade
Federal da Paraíba –UFPb.
Nenhum comentário:
Postar um comentário