quinta-feira, 15 de abril de 2010




Lembranças nostálgicas de Bonsucesso

* Por Gustavo do Carmo

Volta e meia alguns colunistas de jornal e internet relembram o passado de seus bairros, destacando com saudade diversos estabelecimentos comerciais que se foram. Como tenho visto mais recordações da zona sul, no máximo da Tijuca, onde nasci e participei de uma oficina literária, decidi relembrar as minhas lembranças de Bonsucesso, bairro onde fui criado e cresci.

No lado de cá da linha do trem, minha mãe comprou muitos utensílios domésticos e alguns brinquedos para mim na A Graciosa. Do outro lado, na Praça das Nações, existia o Juquinha, mais de ferragens e que não vendia brinquedos. Outros presentes que eu ganhava vinham do Palácio das Novidades (na Avenida Nova York), Lojas Brasileiras (que a gente chamava de Lobrás) e na Papelaria América, onde comprávamos também material escolar. Minha mãe fazia crediário e comprava cadernos para o ano todo. Outras papelarias muito freqüentadas por mim quando criança eram a Casa Chic e, de volta ao lado residencial de Bonsucesso, os armarinhos do Seu Teixeira e a Papelaria Vascão, que ainda existe, mas mudou para a calçada em frente.

Discos comprávamos em uma loja ao lado da Papelaria América, que depois virou a ótica Ponto de Vista e foi demolida. Estou desconfiado de que era da famosa rede O Rei da Voz. Hoje é um estacionamento rotativo e um camelódromo. Na mesma quadra, onde hoje é uma loja da Casa & Vídeo existia o Nosso Restaurante, que servia frutos do mar e exibia sempre aqueles vistosos peixões na vitrine.

Roupas a minha mãe comprava na O Campeão e calçados na Elite, que agora está na sobreloja da lanchonete simples que abriu no lugar da única loja que restou, mas naquela época tinha três lojas e depois viria a abrir uma megastore e uma loja de roupas, a Elite Jeans, onde hoje é o McDonalds do bairro. A grande rede americana só chegou aqui no ano 2000.

Falando em comida, lanchava no Rick (sim, tínhamos o fastfood do Ricardo Amaral aqui também), na Lobrás, em alguns sábados, na Vô Nessa e domingo à noitinha, no ano de estréia do horário de verão oficial e permanente, comia pizza na Pizza House, que também tinha em Botafogo. Garota do Papai e Planalto também faziam parte do nosso roteiro gastronômico (que para mim se resumia a um único prato: pizza de mussarela) e ainda existem, mas não freqüento mais. Há quatro anos fui comemorar o aniversário de uma amiga no Catete e sugeri a Planalto só porque tinha em Bonsucesso. Voltei a ser freguês da Planalto, mas apenas do serviço de entrega em domicílio. Outros restaurantes eram o Carvalhão e Hiran, na Democráticos. O primeiro, na esquina com a Saint Hilaire, também abrigou um restaurante da Garota do Papai, e o segundo, com a General Galieni. Sorvetes eu tomava na SunShake, que existia quase em frente a 21ª Delegacia (que ainda não era legal) e depois na Sem Nome. Hoje está tudo fechado e abandonado.

Churrascaria eu freqüentava o Pala Pala. Mas aí só com o meu pai e as minhas primas com respectivos namorados. A melhor loja da Marius ficava aqui em Bonsucesso, mas só fui uma vez quando a minha irmã passou no vestibular.

As compras rápidas eram feitas no Leão, no Peg & Pague (que depois virou Sapasso, ficou abandonado por muitos anos e hoje é uma megastore da Drogarias Pacheco, que comprou o Descontão original) e nas Sendas. Carne o meu pai comprava no Açougue Rio e depois no Mercado Central e também em alguns velhos açougues que existiam no cruzamento da Democráticos com a Itaóca e na General Galieni.

Antes da Avenida Brasil virar favela, todo o domingo que eu voltava de Santa Cruz da Serra, queria passar no Bob's. Na ida tínhamos que fazer retorno. Ainda peguei o Bobs com a mesa de madeira, tipo camping, mas já em 1985 reformaram para o padrão McDonalds. A tal loja não existe mais.

No dia dos pais os presentes para o meu eram comprados na Sua Majestade e Sir. Também comprávamos na Africana, mas esta ainda existe.

Eletrodomésticos comprávamos na Tele-Rio (que ocupava duas lojas, hoje apenas uma), Garson e Ultralar (ainda sem o sobrenome "& Lazer). Eram a maioria dos presentes para a minha mãe no aniversário dela e no Dia das Mães.

Ah! E quando ouvia a palavra Cinelândia, logo associava a uma loja de artigos para festas na Cardoso de Morais, que também tinha uns salgados gostosos que eu adorava comer. Hoje, a loja se chama Festolândia e antigamente ficava em uma pequena loja que abrigou a Papelaria Summer e que atualmente ocupa o lugar da Casa Chic.

Fiz o meu pré-escolar no Linear e o primeiro grau completo na Escola Nossa Senhora de Bonsucesso, em frente à igreja de mesmo nome, mas que não tinha nenhuma ligação com a paróquia. Era de propriedade do trio de irmãos e professores Seu Patápio (que já era falecido quando entrei há 22 anos), o bondoso Seu Rui, que era rígido quando necessário e a temível Dona Emília. A gente tinha medo dela, mas pensando nos costumes de hoje, até que ela tinha um pouco de razão. Fazíamos educação física na pracinha comunitária da Eudoro Berlinck, onde também costumava estrear os meus presentes de Natal quando tinha meus seis anos, típico tema de reportagem do RJTV, que mal existia na época.

Falando de televisão, lembro de uma colisão entre os ônibus das linhas 917 e 918, ocorrida no cruzamento das ruas General Galieni com a Avenida dos Democráticos em 1989. Um deles, não lembro qual, tombou no meio da pista. Vieram todas as emissoras de TV que existiam na época (Globo, TVE, Manchete, SBT, Bandeirantes, Corcovado e até a recém-renascida TV Rio, embrião do que seria o império da Record carioca). Acho que foi um dos últimos destaques que Bonsucesso teve na mídia antes de só ser cenário de latrocínios, seqüestros e tiroteios.Fora a decadência, claro.

* Jornalista e publicitário de formação e escritor de coração. Publicou o romance “Notícias que Marcam” pela Giz Editorial (de São Paulo-SP) e a coletânea “Indecisos - Entre outros contos” pela Editora Multifoco/Selo Redondezas - RJ. Seu blog, “Tudo cultural” - www.tudocultural.blogspot.com é bastante freqüentado por leitores

5 comentários:

  1. Meu avô quando trouxe a família da Bahia
    para o Rio de Janeiro, foram todos morar
    na Baixa do Sapateiro, numa época em que
    bandido respeitava morador...tem é tempo isso.
    Boas lembranças Gustavo.
    Beijos

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  2. ADOREI SUA MATÉRIA.APESAR DOS PESARES AINDA MORO EM BONSUCESSO. AMO ESSE BAIRRO. VIVENCIEI TUDO ISTO QUE VOCÊ FALOU E UM POUCO MAIS, POR EXEMPLO,O JEPINHA ONDE MINHA MÃE ME LEVAVA EM DIAS DE LIQUIDAÇÃO PARA COMPRAR TECIDOS BARATOS. HOJE É UMA AGÊNCIA DOS CORREIOS.
    BONSUCESSO É COMO UMA FENIX. ELE RENASCE DAS CINZAS. APESAR DA VIOLÊNCIA, CONTINUA CRESCENDO COM NOVAS LOJAS, BANCOS,FACULDADES, ETC.
    ATUALMENTE ESTÁ SENDO FEITO UM TELEFÈRICO. DEUS QUEIRA QUE SEJA PARA FAZER CRESCER AINDA MAIS NOSSO BAIRRO.

    BEIJOS.

    ISABEL

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  3. hoje mor em são paulo sou comerciante, trabalhei de garçon no pala pala bon tempos aquelues. luiz

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  4. Isabel, o Xepinha hoje virou um anexo fechado da UniverCidade. A agência dos Correios era uma loja de ponta de estoque da Mesbla: a Ponta em Conta, se eu não estiver enganado.

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  5. Que direi eu, que morei em Bonsucesso de 1948 até 1969 ???
    Tenho lembranças muito antigas do bairro ainda calmo, com suas lojas tradicionais e poucos carros pelas ruas.
    No Xepinha também ia com minha mãe.
    O leão de verdade,na prateleira do Armazém Leão era assustador !
    E eu gostava muito da Rua Bias Fortes, bem arborizada e tranquila.
    Estudei no Santa Cruz, hoje NABE.
    Quando surgiu a primeira lanchonete do bairro - TREVO - numa galeria do prédio da Cardoso de Morais que fica em frente da Rua Baturité, foi um sucesso e todos iam lá tomar sundae, isso no início dos anos 60 !

    Gostei muito da sua postagem ! Vivo procurando fotos antigas de Bonsucesso, mas não existem muitas, infelizmente.

    Obrigada

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