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Deficiência
* Por Sayonara Lino
Nos últimos dias tenho refletido a respeito do que significa uma deficiência. Quando ouço a palavra penso em algo que falta, disfuncional. De maneira geral, noto que o termo é muito associado a deficiência física, quando esta pode acometer a estrutura mental do indivíduo. Interessante foi quando perguntaram para mim, com um enorme espanto, se uma terceira pessoa, membro de minha família, seria deficiente. Eu respondi que sim. O senhor me olhou com um olhar assustado, pois havia convivido com tal pessoa, e sabia que não lhe faltavam os dedos, nem a audição, tampouco a visão; não é tetraplégica, tem todos os membros no lugar e em perfeito funcionamento. Então, expliquei a este senhor: “ela é deficiente mental.” Imagine a expressão de espanto e constrangimento de quem escuta isso, principalmente da forma natural como foi dita.
Eu não me assusto com os problemas que outros enxergam como algo avassalador. Aqui perto de casa mora um senhor com um transtorno mental bastante grave, o transtorno bipolar do humor, em um grau severo. Infelizmente a doença chegou em um ponto onde ele tem surtos, quebra objetos em casa, torna-se agressivo e a internação se faz necessária. Nos últimos meses, foram várias.
Sempre que o encontro converso com ele. Interessante: ele fala sozinho, às vezes agressivamente, mas sempre me respeitou. Talvez porque eu o respeite, e ele perceba isso de alguma forma. Conversa comigo normalmente, com uma lucidez que pessoas não diagnosticadas, consideradas normais, nem sempre conseguem.
Para ser bem sincera, as deficiências que mais me ferem e me espantam, são as que acometem a alma. O egoísmo, por exemplo, é o déficit de amor em relação ao outro, é a chaga que assola a humanidade. A estupidez, a ignorância, a crueldade, são deficiências sim, das mais graves. E há também a deficiência da falta de autoconhecimento, que faz parecer que o problema está sempre no outro, no vizinho, no parente, no amigo que parece e que talvez seja um pouco mais complicado, mas que pode servir como um espelho, mostrando o que deve ser corrigido em nós.
O preconceito é o maior inimigo dos deficientes, sejam físicos ou mentais. Por favor, não os maltrate, não os coloque em um patamar de inferioridade, porque não é esse o caminho. Todos somos vulneráveis, estamos sujeitos a passar por qualquer coisa na vida, mesmo. Ninguém está livre de ter um parente esquizofrênico, distímico, ou com características físicas que possam causar limitações.
Olhe ao redor, repense seus valores e coloque-se em seu lugar, o de um ser humano, aberto a todas as possibilidades. Se não puder acolher alguém diferente de você, dispensar cuidados e atenção, ao cruzar com essa pessoa, peço: respeite-a. É o mínimo que alguém considerado são pode fazer.
* Jornalista, com especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora e atualmente finaliza nova especialização em Televisão, Cinema e Mídias Digitais, pela mesma instituição. Colunista do portal www.ubaweb.com/revista.
* Por Sayonara Lino
Nos últimos dias tenho refletido a respeito do que significa uma deficiência. Quando ouço a palavra penso em algo que falta, disfuncional. De maneira geral, noto que o termo é muito associado a deficiência física, quando esta pode acometer a estrutura mental do indivíduo. Interessante foi quando perguntaram para mim, com um enorme espanto, se uma terceira pessoa, membro de minha família, seria deficiente. Eu respondi que sim. O senhor me olhou com um olhar assustado, pois havia convivido com tal pessoa, e sabia que não lhe faltavam os dedos, nem a audição, tampouco a visão; não é tetraplégica, tem todos os membros no lugar e em perfeito funcionamento. Então, expliquei a este senhor: “ela é deficiente mental.” Imagine a expressão de espanto e constrangimento de quem escuta isso, principalmente da forma natural como foi dita.
Eu não me assusto com os problemas que outros enxergam como algo avassalador. Aqui perto de casa mora um senhor com um transtorno mental bastante grave, o transtorno bipolar do humor, em um grau severo. Infelizmente a doença chegou em um ponto onde ele tem surtos, quebra objetos em casa, torna-se agressivo e a internação se faz necessária. Nos últimos meses, foram várias.
Sempre que o encontro converso com ele. Interessante: ele fala sozinho, às vezes agressivamente, mas sempre me respeitou. Talvez porque eu o respeite, e ele perceba isso de alguma forma. Conversa comigo normalmente, com uma lucidez que pessoas não diagnosticadas, consideradas normais, nem sempre conseguem.
Para ser bem sincera, as deficiências que mais me ferem e me espantam, são as que acometem a alma. O egoísmo, por exemplo, é o déficit de amor em relação ao outro, é a chaga que assola a humanidade. A estupidez, a ignorância, a crueldade, são deficiências sim, das mais graves. E há também a deficiência da falta de autoconhecimento, que faz parecer que o problema está sempre no outro, no vizinho, no parente, no amigo que parece e que talvez seja um pouco mais complicado, mas que pode servir como um espelho, mostrando o que deve ser corrigido em nós.
O preconceito é o maior inimigo dos deficientes, sejam físicos ou mentais. Por favor, não os maltrate, não os coloque em um patamar de inferioridade, porque não é esse o caminho. Todos somos vulneráveis, estamos sujeitos a passar por qualquer coisa na vida, mesmo. Ninguém está livre de ter um parente esquizofrênico, distímico, ou com características físicas que possam causar limitações.
Olhe ao redor, repense seus valores e coloque-se em seu lugar, o de um ser humano, aberto a todas as possibilidades. Se não puder acolher alguém diferente de você, dispensar cuidados e atenção, ao cruzar com essa pessoa, peço: respeite-a. É o mínimo que alguém considerado são pode fazer.
* Jornalista, com especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora e atualmente finaliza nova especialização em Televisão, Cinema e Mídias Digitais, pela mesma instituição. Colunista do portal www.ubaweb.com/revista.
Deficiência é não saber falar " Eu te amo". É ter
ResponderExcluirvergonha de demonstrar um sentimento tão sublime.
E se uma pessoa é incapaz de expressar amor...esperar o quê?
Parabéns Sayonara.
Beijos
Obrigada, Nubia, por passar aqui, viu? Beijao!
ResponderExcluirSão ? Existe sanidade ?
ResponderExcluirAcho que a " sanidade" é uma grande loucura !
A pior deficiência é a de caráter. Aliás, deficiência, não, doença. É a mais grave.
Convivi com meu avô que era esquizofrênico e ele nunca me fez mal.
Adorei o assunto !
Beijão
Eu tenho déficit de atenção. Será que eu sou deficiente? Aliás, será que eu tenho déficit de atenção ou só quero chamar atenção?
ResponderExcluirBoa crônica.
Celamar, vc. tocou em um ponto muito interessante: muita gente usa os transtornos mentais para justificar determinadas atitudes ( como agressividade), que podem der decorrentes do mesmo, mas podem também ser um transtorno de personalidade. É um assunto complexo, mas tudo o que sei é que são pessoas que precisam de cuidados. Concordo que essa tal sanidadde é mesmo uma loucura! Beijos!
ResponderExcluirGustavo, TDAH deve ser tratado com profissionais capacitados, através de medicação e terapia para reavaliação de comportamento. Sei que vc sabe disso! Se é para chamar atenção? Pode ser, mas acho que deve levar a sério essa característica e procurar aproveitar o lado positivo dela, OK/ Abraços!
ResponderExcluirTive ( e tenho) ao longo da vida vários amigos com problemas físicos ou mentais. Na época da ditadura quatro "piraram". Além desses alguns outros. Nunca tive nenhum problema com eles, sempre os tratei de igual para igual. Belo tema você abordou.
ResponderExcluirBeijos
Que bom saber disso, Risomar! É muito bom escrever e saber que algumas pessoas convivem com o que é considerado diferente ou anormal de uma forma respeitosa. Obrigada por ler e comentar! Beijos!
ResponderExcluirInusitada abordagem, Sayonara. Dar nome às coisas pode ser didático, educativo e pedagógico, embora muitos prefiram usar de subterfúgios. Boa parte dos deficientes ainda está por ser diagnosticada. Deve ser por isso, que muitos se negam a procurar o médico.
ResponderExcluirConcordo, Mara, muito obrigada pelo seu comentário, abraço!
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