terça-feira, 3 de agosto de 2010







Maria Fumaça




* Por José Calvino de Andrade Lima

Jogando lenha na fornalha
se encarregava o foguista,
o calor de dentro da locomotiva
esquentava o rosto do maquinista.

Apitando pela linha férrea,
os meus olhos aproximavam da estação.
Na passagem de Nível,
o piuí-piuí, era atenção.

Chegando na estação,
fiquei escoteira,
na esplanada manobrava
os trens de então.
Sonhando pelos trilhos desse trem,
no Museu do Trem,
Maria Fumaça na solidão,
espera pelo trem que não vem.


Recordando o passado

F
ito no presente

Fiquei escoteira

Sem sair da esplanada...

A todos eu quero que me vejam!


Nota: O autor se inspirou no abandono que se encontra o Museu do Trem do Recife.
Idem no livro "Trem Fantasma" (Estação Arrayal) p. 67 - 2005.


* Escritor, poeta e teatrólogo

3 comentários:

  1. Acender a fornalha, mesmo que de forma metafórica, propicia levantar a questão do descaso, e quem sabe mexer nos brios das autoridades.

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  2. Obrigado, Mara!
    Constatei que já deram início pela restauração na Centenária Estação Central do Recife.
    Abraços

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  3. Que pena, Calvino!...quando estive aí no Recife o Museu do Trem era tão lindo, tão bem cuidado!
    Mas já estou acostumada com isso. Tudo que se refere à arte e a cultura é tratado como mercadoria de 2ª classe...Lastimável!
    Abraços

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