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Acalanto da chuva
* Por Pedro J. Bondaczuk
A chuva verte na vidraça
lágrimas que não sei verter.
Silêncio! É o tempo que passa:
o que eu não soube preencher!
Som monótono, irreal,
pinga, nota a nota, sem falha...
Profundo abismo existencial!
Mas a água canta na calha.
A melancolia é intensa,
a esperança é renovadora.
Mas esta saudade é imensa!
Mas esta angústia é opressora!
A água que rola, em resumo,
ressalta, enfatiza o cansaço,
e marca os meus passos sem rumo,
a minha canção sem compasso.
Mas a água segue a rolar
e compõe, ressoa e espalha
confusa canção de ninar,
rolando e rolando na calha.
Embala o meu corpo cansado,
(porém minha mente não cansa)
projeta outro sonho dourado,
valoriza outra lembrança.
Sou assim: inquieto, imaturo
e ácido, como azeda uva.
Estou só! Tateio no escuro...
Meu Deus, como gosto de chuva!
*Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance Fatal” (contos) e “Cronos & Narciso” (crônicas), com lançamentos previstos para os próximos dois meses. Blog “O Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com
* Por Pedro J. Bondaczuk
A chuva verte na vidraça
lágrimas que não sei verter.
Silêncio! É o tempo que passa:
o que eu não soube preencher!
Som monótono, irreal,
pinga, nota a nota, sem falha...
Profundo abismo existencial!
Mas a água canta na calha.
A melancolia é intensa,
a esperança é renovadora.
Mas esta saudade é imensa!
Mas esta angústia é opressora!
A água que rola, em resumo,
ressalta, enfatiza o cansaço,
e marca os meus passos sem rumo,
a minha canção sem compasso.
Mas a água segue a rolar
e compõe, ressoa e espalha
confusa canção de ninar,
rolando e rolando na calha.
Embala o meu corpo cansado,
(porém minha mente não cansa)
projeta outro sonho dourado,
valoriza outra lembrança.
Sou assim: inquieto, imaturo
e ácido, como azeda uva.
Estou só! Tateio no escuro...
Meu Deus, como gosto de chuva!
*Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance Fatal” (contos) e “Cronos & Narciso” (crônicas), com lançamentos previstos para os próximos dois meses. Blog “O Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com
Gosto de chuva e grandes ventos, permito
ResponderExcluirque embalem meus pensamentos.
Linda poesia!
Abraços
Belo poema, Pedro.
ResponderExcluirFoi muito bem rimado, parabéns.
Abração do,
José Calvino
RecifeOlinda
Gosto das chuvas amenas, que trazem frescor, arejando o tempo e a mente. Ótimo, Pedro! Abraço!
ResponderExcluirSó na penúltima estrofe o encontrei. Nas anteriores não vi nada parecido com você. A menos que seja uma personagem emprestada. Poema dá a impressão de ser pessoal. Sobre as chuvas, também gosto, mas que não vente e nem sejam fortes como suas rimas.
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