domingo, 16 de maio de 2010




Acalanto da chuva

* Por Pedro J. Bondaczuk

A chuva verte na vidraça
lágrimas que não sei verter.
Silêncio! É o tempo que passa:
o que eu não soube preencher!

Som monótono, irreal,
pinga, nota a nota, sem falha...
Profundo abismo existencial!
Mas a água canta na calha.

A melancolia é intensa,
a esperança é renovadora.
Mas esta saudade é imensa!
Mas esta angústia é opressora!

A água que rola, em resumo,
ressalta, enfatiza o cansaço,
e marca os meus passos sem rumo,
a minha canção sem compasso.

Mas a água segue a rolar
e compõe, ressoa e espalha
confusa canção de ninar,
rolando e rolando na calha.

Embala o meu corpo cansado,
(porém minha mente não cansa)
projeta outro sonho dourado,
valoriza outra lembrança.

Sou assim: inquieto, imaturo
e ácido, como azeda uva.
Estou só! Tateio no escuro...
Meu Deus, como gosto de chuva!

*Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance Fatal” (contos) e “Cronos & Narciso” (crônicas), com lançamentos previstos para os próximos dois meses. Blog “O Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com

4 comentários:

  1. Gosto de chuva e grandes ventos, permito
    que embalem meus pensamentos.
    Linda poesia!
    Abraços

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  2. Belo poema, Pedro.
    Foi muito bem rimado, parabéns.
    Abração do,
    José Calvino
    RecifeOlinda

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  3. Gosto das chuvas amenas, que trazem frescor, arejando o tempo e a mente. Ótimo, Pedro! Abraço!

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  4. Só na penúltima estrofe o encontrei. Nas anteriores não vi nada parecido com você. A menos que seja uma personagem emprestada. Poema dá a impressão de ser pessoal. Sobre as chuvas, também gosto, mas que não vente e nem sejam fortes como suas rimas.

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