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Zeus assim o quis
* Por Marcelo Sguassábia
(Pequeno exercício de escrita automática)
Zeus, num raro acesso de generosidade, resolveu dar permissão. Sim, o barbudão de pouca prosa e nenhum riso, imagine. Licença concedida, abrimos a golpe de faca o compartimento estanque, guardado a segredo de cofre e venerado feito sudário.
De cara um fusca 74 nos esperava além de longe, desde meados de nunca. E esperava inerte qual relógio da matriz velha, com os dois ponteiros soldados pelo zinabre dos anos, aqueles da antitristeza das balas de coco geladas, da bola nova cheirando a couro e com a etiqueta de preço, do chenile do sofá na sala imensa de estar e ser, e estando lá, permanecer até o findar da tarde e o chegar do sono.
A vizinhança toda em seu rodar de carrossel, natais se anunciando desde outubro com seus piscas, torresmos defumando vinte alqueires de sertões. E você lá, branca das parafinas de crisma e de primeira comunhão, crescendo a cinco centímetros por hora e tomada do desejo de correr países outros de fronteiras bambas, montada em bicho de zanga – belo e premiado produtor de estrume azul, uma coisa quase que da estimação do mundo de tão lindo que era.
Aproveitamos a chance enquanto Zeus deixava. E Zeus deixou mais um pouquinho, porém não mais que o estritamente necessário.
* Redator publicitário há mais de 20 anos, cronista de várias revistas eletrônicas, entre as quais a “Paradoxo”
* Por Marcelo Sguassábia
(Pequeno exercício de escrita automática)
Zeus, num raro acesso de generosidade, resolveu dar permissão. Sim, o barbudão de pouca prosa e nenhum riso, imagine. Licença concedida, abrimos a golpe de faca o compartimento estanque, guardado a segredo de cofre e venerado feito sudário.
De cara um fusca 74 nos esperava além de longe, desde meados de nunca. E esperava inerte qual relógio da matriz velha, com os dois ponteiros soldados pelo zinabre dos anos, aqueles da antitristeza das balas de coco geladas, da bola nova cheirando a couro e com a etiqueta de preço, do chenile do sofá na sala imensa de estar e ser, e estando lá, permanecer até o findar da tarde e o chegar do sono.
A vizinhança toda em seu rodar de carrossel, natais se anunciando desde outubro com seus piscas, torresmos defumando vinte alqueires de sertões. E você lá, branca das parafinas de crisma e de primeira comunhão, crescendo a cinco centímetros por hora e tomada do desejo de correr países outros de fronteiras bambas, montada em bicho de zanga – belo e premiado produtor de estrume azul, uma coisa quase que da estimação do mundo de tão lindo que era.
Aproveitamos a chance enquanto Zeus deixava. E Zeus deixou mais um pouquinho, porém não mais que o estritamente necessário.
* Redator publicitário há mais de 20 anos, cronista de várias revistas eletrônicas, entre as quais a “Paradoxo”
Qualquer episódio é desculpa para montarmos na máquina do tempo e viajarmos para um lugar que nos espera. Zeus deixando, até os quadrúpedes evacuam na cor azul.
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