domingo, 1 de abril de 2012







De olhos fechados

* Por Aliene Coutinho


De olhos fechados, ela o ouvia respirar, sentia as mãos dele percorrerem o seu corpo. Ele sabia exatamente onde tocá-la, era impressionante como a conhecia, como sabia fazê-la derreter, se entregar. Fora assim desde a primeira vez, aliás desde o primeiro beijo. Ela chamava a atenção dele, e todas as vezes que se esbarravam nos corredores e nos elevadores da empresa onde trabalhavam, ela notava o quanto ele a olhava cheio de desejo. No dia que aceitou a carona no fim do expediente, tinha certeza que alguma coisa ia acontecer, e aconteceu.

Em frente à casa dela, na hora da despedida, ele se virou bruscamente, segurou a cabeça dela com força, e deu-lhe um beijo na boca, entre assustada e satisfeita ela se entregou àquele beijo – um dos melhores de sua vida. Dali para cama foi só mais um encontro. E eles se entregaram com a fome de todos os amantes, ao se tocarem, comprovavam, na pele e na alma, o quanto se desejavam.

Se amavam olhando nos olhos um do outro, se exploravam, se tocavam, e sentiam tamanho prazer que o gozo era apenas conseqüência de uma sessão de orgasmos múltiplos. As mãos, em suas costas, deslizando por suas nádegas, pelas pernas, ou firmes em sua cintura, enquanto ele fazia o caminho inverso, dessa vez passando a língua em cada centímetro de sua pele, era um ritual ao qual se entregavam sem pudor.

Ela também o fazia enlouquecer, retribuindo cada carinho, sabia onde tocá-lo, onde beijá-lo com mais suavidade ou com mais pressão, sabia o quanto ele gostava quando ela sussurrava em seu ouvido, mordiscava seu pescoço e orelha, e lambia sua barriga, umbigo, até por fim fazê-lo gemer com o mais demorado e prazeroso sexo oral. Era química, era amor, sei lá, eles se entendiam como bichos no cio, como seres humanos apaixonados.

E de olhos fechados, ela o sentia, agora dentro dela, forte, apertado, tocando-lhe todos os pontos “G” que possam existir, porque com ele parecia mesmo que existia mais de um, sentia as mãos dele em seus cabelos, a boca ávida em seus seios, e ele a penetrando cada vez mais, e mais, até atingirem o êxtase juntos, sós, únicos no mundo inteiro.

A respiração desacelerou, o coração entrou no compasso, se despediram e desligaram o telefone. Ele dormiu, ela abraçou o travesseiro. Estavam longe um do outro. Um oceano inteiro os separava há dois meses, e desde então passaram a fazer sexo verbal. Quase toda noite era assim: ela de um lado, ele do outro, se imaginando, se tocando, falando coisas indecentes, até alcançarem o gozo solitário, mas baseado nas lembranças do amor real que só eles sabiam desfrutar.

* Jornalista e professora de Telejornalismo.

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