sexta-feira, 16 de outubro de 2009


Critérios de avaliação

Caros leitores, bom dia. Peço-lhes desculpas por não renovar ontem os textos do nosso Literário. A culpa cabe, de novo, ao meu provedor, que me deixou sem acesso à internet ontem, o dia inteiro e hoje por mais um tempão, embora eu esteja com meu pagamento rigorosamente em dia. Coisas para o Procon observar e tomar as devidas providências. O consumidor continua sendo desrespeitado em seus mais elementares direitos por empresas relapsas e por maus empresários. Mas... Deixa isso pra lá!
O assunto de hoje é, na verdade, resposta a um e-mail do leitor José Leonides, que me pergunta qual o critério que adoto para avaliar um livro, ou mesmo um texto isolado. Prefiro não revelar o meu “pulo de gato”. Mas posso comentar o que a maioria adota para fazer a essa avaliação.
Antes de tudo é preciso distinguir a função do avaliador. Se ele é um simples leitor, o resultado e os critérios serão um, se é crítico por profissão, vai ser outro e se for editor, será outro ainda. No primeiro caso, a avaliação é exclusivamente pessoal, ou seja, não vem a público, embora gere efeitos. No segundo, pode determinar o sucesso ou o fracasso de um livro. E no terceiro, mais grave ainda, tende a definir se a obra avaliada será publicada ou não. Notaram, pois, as diferenças?
Qual o critério adotado pelo leitor na hora de comprar (e de ler) um livro? Até subjetivamente, tende a optar por um autor da moda, ou seja, por alguém que esteja (ou que já esteve) em evidência, mencionado a todo o momento na imprensa.
Entre um escritor famoso e badalado e o Zé das Candongas, quem vocês acham que ele vai escolher? Até porque, o livro, infelizmente, pelo menos aqui no Brasil, ainda é um produto relativamente caro.
Claro que é uma atitude até preconceituosa. O escritor novato terá que fazer “das tripas coração” para ficar minimamente famoso e atrair a atenção do leitor. Não raro, preciosos talentos são desperdiçados dessa forma. Bons autores ficam pelo caminho, limitando-se à publicação de um único livro e tudo por causa da falta de leitores.
E o crítico, como age? Guardadas as devidas proporções, da mesma maneira que o leitor comum. Avalia, sim, o livro do Zé das Candongas, mas com olhar de águia, atento aos mínimos defeitos que possa ter (e quando não tem, força a barra para, mesmo assim, encontrar algum). Raros são os que avaliam a obra com absoluta honestidade intelectual. E as conseqüências, para o avaliado, são desastrosas.
Há, claro, escritores obscuros, mal-avaliados, que com talento, esforço e criatividade conseguem se projetar e atingir o estrelato. E “calam a boca” dos tais críticos. Mas eles são astutos. Simplesmente ignoram as avaliações anteriores que fizeram e, até para não caírem em ridículo e não remarem contra a maré, passam a tecer loas ao Zé das Candongas, agora alçado ao status de “Sua Senhoria José das Candongas”.
Claro que há exceções e, felizmente, muitas. Mas a regra, ao que se pode observar, é exatamente esta. Muitos “medalhões”, campeões de vendas de livros, passaram por estas agruras. Quantos outros ainda irão passar?
Finalmente, quanto aos critérios de avaliação do editor, prefiro deixar para comentar em outra ocasião. Até porque o tema é muito extenso e não pode ser tratado mal e porcamente, num único texto, ainda mais redigido na correria, com o redator de olho na caprichosa corrida dos ponteiros do relógio.

Boa leitura

O Editor.

2 comentários:

  1. Caro editor, seja bem-vindo! Preocupamos-nos com a sua ausência, mas devido a reincidência de falhas nos serviços do seu provedor, achamos- Celamar, Urariano e eu-, tratar-se de mais uma delas. Melhor assim, do que problemas de saúde(toc,toc,toc...batidas na madeira). Veja aí, mas acho que faltou um "não" no começo do editorial.Tenha um ótimo dia! E sem sair do ar.

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  2. Caríssimos amigos, muito obrigado pelo carinho e pela preocupação. Estamos aqui, firmes e fortes e já chamei o provedor às falas, mostrando-lhe que não pode agir, como agiu, e ficar impune. Creio que não ocorrerá mais nenhum "hiato" nas edições (espero). Esta foi a primeira vez, em sete meses, que o Literário ficou um dia sem renovação de textos. Quando nos propusemos a que fosse diário, era (e é) para ser diário mesmo. Estou preparando novidades (boas) para as próximas edições. Um abração para todos!!!!

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