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O que escrever?
Muito bem, escritor amigo, você, finalmente, se conscientizou do seu talento para a Literatura. Há anos vem publicando, em jornais, suas crônicas, e seus contos fazem sucesso nas raras revistas literárias que ainda sobrevivem.
Diante de tudo isso, chegou à conclusão de que precisa lançar um livro. Apesar de nunca haver passado por essa experiência, leu atentamente as informações do Literário sobre as dificuldades que poderá encontrar, quer para a publicação, quer para que sua obra chegue de fato às mãos de quem lhe interessa: o leitor. Até já traçou uma estratégia para superar esses obstáculos. Porém, para pô-la em prática, falta-lhe, óbvio, o essencial: o “produto”. E sem ele, sequer poderá ostentar o pomposo título de “escritor”.
Se quisesse, é verdade, já poderia ter em mãos não apenas um, mas vários livros seus. Bastaria reunir suas melhores crônicas, publicadas na imprensa e em sites e blogs da internet e, pronto. Ou poderia selecionar os contos publicados, aqueles que fizeram mais sucesso com os leitores. Ou, quem sabe, se dispor a exibir em público os inúmeros poemas que vem compondo com assiduidade desde a adolescência. “Não, poesia não. Não vende”, você conclui. Mas você não quer reunir textos já prontos num livro. Não, pelo menos, agora. No futuro... quem sabe.
Você quer escrever um livro novo, inédito, virgem, do começo ao fim. É quando se vê face a quatro perguntas fundamentais: o que escrever? Como escrever? Quando escrever? Para quem escrever? Esses quatro questionamentos exigem muita reflexão e sérias considerações.
O que escrever? Ficção ou não-ficção? Um livro de ensaios poderia ser boa pedida, mas você não tem prestígio suficiente para despertar a atenção do mercado. Trata-se de um gênero que requer certa notoriedade do autor, sob pena de não vender nem o suficiente para pagar um cafezinho. Fosse um Montaigne, um Thoreau ou um Emerson, vá lá. Seria mais fácil. Mas você não é.
Redigir memórias poderia ser uma boa. Mas você ainda é relativamente jovem e não tem tanta experiência assim, e nem tantas lembranças interessantes que mereçam ser consolidadas em livro. Nos próximos anos, quem sabe. Não. Você quer, mesmo, é partir de cara para a ficção.
Mas escrever o quê? Histórias a serem desenvolvidas, na verdade, não lhe faltam. Você tem um arquivo inteiro, e imenso, em seu computador, com esboços de inúmeros enredos que, bem desenvolvidos, podem render livros sensacionais.
Qual será sua opção? Contos? Terá que escrever novos, já que não quer aproveitar os publicados em revistas. Quem sabe uma novela. Ou uma peça de teatro. É verdade que já tentou escrever algumas, mas desistiu na metade. Esse gênero requer extrema facilidade em diálogos, para que esses não soem falsos ou discursivos, habilidade que você ainda não tem. Não, peça de teatral você quer escrever, sim, mas não agora.
Sobrou, pois, apenas a redação de um romance. Muito bem, mas há, ainda, alguns questionamentos a fazer. Qual o caráter que você quer lhe imprimir? Situará a história em que tempo, no presente, em um passado bem remoto ou no futuro? Será um romance de amor, de cunho político, de ficção científica, de aventuras etc.etc.etc.? Que tipo de caso, afinal, você pretende contar aos leitores?
Antes de você sentar-se junto ao teclado do seu computador, para começar a escrever, terá que decidir tudo isso. Sim, escritor amigo, o que escrever? Ah, já decidiu?! Após essa decisão, vem, agora, a segunda etapa da sua empreitada. Mas esta ficará para ser analisada amanhã.
Boa leitura.
O Editor.
Muito bem, escritor amigo, você, finalmente, se conscientizou do seu talento para a Literatura. Há anos vem publicando, em jornais, suas crônicas, e seus contos fazem sucesso nas raras revistas literárias que ainda sobrevivem.
Diante de tudo isso, chegou à conclusão de que precisa lançar um livro. Apesar de nunca haver passado por essa experiência, leu atentamente as informações do Literário sobre as dificuldades que poderá encontrar, quer para a publicação, quer para que sua obra chegue de fato às mãos de quem lhe interessa: o leitor. Até já traçou uma estratégia para superar esses obstáculos. Porém, para pô-la em prática, falta-lhe, óbvio, o essencial: o “produto”. E sem ele, sequer poderá ostentar o pomposo título de “escritor”.
Se quisesse, é verdade, já poderia ter em mãos não apenas um, mas vários livros seus. Bastaria reunir suas melhores crônicas, publicadas na imprensa e em sites e blogs da internet e, pronto. Ou poderia selecionar os contos publicados, aqueles que fizeram mais sucesso com os leitores. Ou, quem sabe, se dispor a exibir em público os inúmeros poemas que vem compondo com assiduidade desde a adolescência. “Não, poesia não. Não vende”, você conclui. Mas você não quer reunir textos já prontos num livro. Não, pelo menos, agora. No futuro... quem sabe.
Você quer escrever um livro novo, inédito, virgem, do começo ao fim. É quando se vê face a quatro perguntas fundamentais: o que escrever? Como escrever? Quando escrever? Para quem escrever? Esses quatro questionamentos exigem muita reflexão e sérias considerações.
O que escrever? Ficção ou não-ficção? Um livro de ensaios poderia ser boa pedida, mas você não tem prestígio suficiente para despertar a atenção do mercado. Trata-se de um gênero que requer certa notoriedade do autor, sob pena de não vender nem o suficiente para pagar um cafezinho. Fosse um Montaigne, um Thoreau ou um Emerson, vá lá. Seria mais fácil. Mas você não é.
Redigir memórias poderia ser uma boa. Mas você ainda é relativamente jovem e não tem tanta experiência assim, e nem tantas lembranças interessantes que mereçam ser consolidadas em livro. Nos próximos anos, quem sabe. Não. Você quer, mesmo, é partir de cara para a ficção.
Mas escrever o quê? Histórias a serem desenvolvidas, na verdade, não lhe faltam. Você tem um arquivo inteiro, e imenso, em seu computador, com esboços de inúmeros enredos que, bem desenvolvidos, podem render livros sensacionais.
Qual será sua opção? Contos? Terá que escrever novos, já que não quer aproveitar os publicados em revistas. Quem sabe uma novela. Ou uma peça de teatro. É verdade que já tentou escrever algumas, mas desistiu na metade. Esse gênero requer extrema facilidade em diálogos, para que esses não soem falsos ou discursivos, habilidade que você ainda não tem. Não, peça de teatral você quer escrever, sim, mas não agora.
Sobrou, pois, apenas a redação de um romance. Muito bem, mas há, ainda, alguns questionamentos a fazer. Qual o caráter que você quer lhe imprimir? Situará a história em que tempo, no presente, em um passado bem remoto ou no futuro? Será um romance de amor, de cunho político, de ficção científica, de aventuras etc.etc.etc.? Que tipo de caso, afinal, você pretende contar aos leitores?
Antes de você sentar-se junto ao teclado do seu computador, para começar a escrever, terá que decidir tudo isso. Sim, escritor amigo, o que escrever? Ah, já decidiu?! Após essa decisão, vem, agora, a segunda etapa da sua empreitada. Mas esta ficará para ser analisada amanhã.
Boa leitura.
O Editor.
São tantos os caminhos quanto há de escritores nesse mundo. É bom sentar já com algo em mente, mas não é conveniente imaginar o tamamho do caminho a ser trilhado. Isso nos faria desanimar. Melhor pensar no prazer de ver o resultado do trabalho pronto.
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