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Louvação a Minas
* Por Luiz de Aquino
Leitor me liga e pergunta, mais para se expressar que para saber: “Você gosta mesmo de Minas, hem?” Gosto mesmo, é claro! Na minha pequenina Caldas Novas, anterior ao asfalto e ao surto de turismo, não havia vivente sem origem no estado vizinho; houvesse o termo, éramos o “entorno” de Minas – ou um pedaço desse entorno: gente importante, os mais velhos, estudaram em Uberaba; precisássemos de médico, iríamos a Araguari; era de Araguari que vinha a jardineira de Siô Odilon levando gente para Goiânia – faziam pouso no Hotel Avenida, de Juca Godoy, com direito a banho nas banheiras térmicas (temperaturas vaiáveis entre 38º e 42º centígrados) e conversa demorada no alpendre.
Minha mãe, de veias italianas, nasceu em Conquista, à beira da ferrovia, não muito longe do Rio Grande e da Usina Junqueira. Como não gostar de um lugar que, além de minas, tem gerais? Minas da História do ouro e das lutas; gerais do feitiço literário de tantos rosa-guimarães, dos bugres dos chapadões, de Isaura escrava de guimarães-bernardo...
Gabeira, escriba e deputado, falou de sinais de vida num tal planeta Minas; e são tantos os cantos de tantas cores mineiras que entendi cinco países no planeta gabeira: norte-bahia, sul-sampaulo, leste-rio e triângulo-goiás. Basta saber-lhes os sotaques e as semânticas – Minas não é uma terra só, tanto que só se fala no plural: Minas Gerais.
Hei de gostar, sim; e sempre. Porque são de Minas: Dênia, Fátima, Adélia, Lúcia, Marisa, Leila, Mara... Tantas encantadoras mulheres queridas! Como trocamos falas e idéias e versos, e como lhes devo, mulheres mineiras!
Dentre as amigas das Minas que me chegaram por último, faço ênfase para Mara, doutora de glândulas que tanto me ensinou sobre glicemia e, muitas vezes, empresta-me idéias que nunca devolvo: transformo-as em temas destas crônicas duas vezes na semana. Por isso, falar de Minas não é evocar apenas os homens Tiradentes, JK, Drummond, Ari Barroso, Antônio Olinto, Pitangui, Sabino e outros miles: há as mulheres − e não falei de Adélia Prado, a que nunca me responde. Mas se poucos ainda parecem ser os argumentos, conduzo o leitor à leitura dos meus poemas “Cálidas mineiras em termas Goiás” – que pode ser encontrado na Internet ou nas páginas do meu livro Razões da Semente (republicado na coletânea Meus Poemas do Século XX, pág. 174) − e “Minas: mulher, terra e ar”, do livro Sarau (pág. 24 a 27).
Então, leitores goiases e leitores d’outros pagos, fiquemos na homenagem que não se acaba à terra e ao jeito de ser da gente mineira: é de Minas o melhor dos cenários do trem; é de Minas o silêncio oportuno e a força na hora certa, de Felipe dos Santos a Itamar Franco; é de Minas a cachaça que já se chamou pinga; é em Minas que o Brasil se sintetiza; é em Minas que nasce o melhor dos textos da boa língua brasileira; é em Minas que a saudade acontece sem doer.
É em Minas que a alma se enriquece. E se renova. E cresce.
* Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.
* Por Luiz de Aquino
Leitor me liga e pergunta, mais para se expressar que para saber: “Você gosta mesmo de Minas, hem?” Gosto mesmo, é claro! Na minha pequenina Caldas Novas, anterior ao asfalto e ao surto de turismo, não havia vivente sem origem no estado vizinho; houvesse o termo, éramos o “entorno” de Minas – ou um pedaço desse entorno: gente importante, os mais velhos, estudaram em Uberaba; precisássemos de médico, iríamos a Araguari; era de Araguari que vinha a jardineira de Siô Odilon levando gente para Goiânia – faziam pouso no Hotel Avenida, de Juca Godoy, com direito a banho nas banheiras térmicas (temperaturas vaiáveis entre 38º e 42º centígrados) e conversa demorada no alpendre.
Minha mãe, de veias italianas, nasceu em Conquista, à beira da ferrovia, não muito longe do Rio Grande e da Usina Junqueira. Como não gostar de um lugar que, além de minas, tem gerais? Minas da História do ouro e das lutas; gerais do feitiço literário de tantos rosa-guimarães, dos bugres dos chapadões, de Isaura escrava de guimarães-bernardo...
Gabeira, escriba e deputado, falou de sinais de vida num tal planeta Minas; e são tantos os cantos de tantas cores mineiras que entendi cinco países no planeta gabeira: norte-bahia, sul-sampaulo, leste-rio e triângulo-goiás. Basta saber-lhes os sotaques e as semânticas – Minas não é uma terra só, tanto que só se fala no plural: Minas Gerais.
Hei de gostar, sim; e sempre. Porque são de Minas: Dênia, Fátima, Adélia, Lúcia, Marisa, Leila, Mara... Tantas encantadoras mulheres queridas! Como trocamos falas e idéias e versos, e como lhes devo, mulheres mineiras!
Dentre as amigas das Minas que me chegaram por último, faço ênfase para Mara, doutora de glândulas que tanto me ensinou sobre glicemia e, muitas vezes, empresta-me idéias que nunca devolvo: transformo-as em temas destas crônicas duas vezes na semana. Por isso, falar de Minas não é evocar apenas os homens Tiradentes, JK, Drummond, Ari Barroso, Antônio Olinto, Pitangui, Sabino e outros miles: há as mulheres − e não falei de Adélia Prado, a que nunca me responde. Mas se poucos ainda parecem ser os argumentos, conduzo o leitor à leitura dos meus poemas “Cálidas mineiras em termas Goiás” – que pode ser encontrado na Internet ou nas páginas do meu livro Razões da Semente (republicado na coletânea Meus Poemas do Século XX, pág. 174) − e “Minas: mulher, terra e ar”, do livro Sarau (pág. 24 a 27).
Então, leitores goiases e leitores d’outros pagos, fiquemos na homenagem que não se acaba à terra e ao jeito de ser da gente mineira: é de Minas o melhor dos cenários do trem; é de Minas o silêncio oportuno e a força na hora certa, de Felipe dos Santos a Itamar Franco; é de Minas a cachaça que já se chamou pinga; é em Minas que o Brasil se sintetiza; é em Minas que nasce o melhor dos textos da boa língua brasileira; é em Minas que a saudade acontece sem doer.
É em Minas que a alma se enriquece. E se renova. E cresce.
* Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.
Quanta paixão pela amorosa terrinha das geraes! Faz bem. Minas é mesmo onde o país se reconhece mais brasileiro, na paisagem que leva à reflexão e no remanso dos seus generosos mananciais. Sim, Minas pode tudo! Mas deu saudade repentina de Caldas Novas, onde estive em 1963, quando tinha 12 anos e mergulhava (eu e o amiguinho Sérgio Augusto da Costa Palmerston de quem nunca mais soube) nos rios termais. Bela evocação! Parabéns!
ResponderExcluirMais uma (justíssima) homenagem à Mara Narciso, figura que aprendi a admirar, por sua participação, sabedoria e suma simpatia. Você merece, pela generosidade que nos trata. Esteja certa que é pessoa muito querida (e admirada) por todos os que integram esse nosso quixotesco projeto.
ResponderExcluirLuiz, bela homenagem a Minas Gerais, lugar incomum e encantado. E à minha conterrânea, que só conheço por este epaço em comum, mas já admiro.
ResponderExcluirAbs,
Clara dos Anjos
Pedro, fiquei feliz e encabulada com o seu comentário. Muito obrigada!
ResponderExcluirClara, obrigada pelo carinho!
E a Luiz de Aquino, agradeço a generosidade para comigo, e a crônica poética destinada a nossa Minas Gerais.
Minas é miragem boa, que às vezes chega a parecer que não existe.
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