sexta-feira, 17 de maio de 2013


Pílulas literárias 168

* Por Eduardo Oliveira Freire


- Cale-se! Tome logo esse cálice de vinho.

Quando foi dormir vomitou todo o jantar que o pai preparou para comemorar seu retorno.
Abandonou a casa paterna na calada da noite e voltou a andejar sem rumo por aí.

***

Viveu anos na cadeia. Quando foi solto, a primeira coisa que fez: Construiu uma jaula para morar. Não suportava mais a imensidão do mundo.

***


- Acordo. O que farei? Não sei. Vou preparar o café. A casa está vazia. Eu tinha que ir trabalhar hoje, mas não vou. Espera um pouco... Não foi sonho. O avião caiu no trabalho, dizem que foi atentado. Escapei, porque fui tomar café. O que farei? Nada é como antes e nem eu. Não me reconheço no espelho, sinto que fui junto com os que convivi há anos.

***


Levanta da cama e consegue sair do quarto, pela primeira vez, há meses.

* Eduardo Oliveira Freire é formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense, com Pós Graduação em Jornalismo Cultural na Estácio de Sá e é aspirante a escritor

Um comentário:

  1. Adorei a "jaula para morar". Dei uma risadona, embora não seja propriamente engraçado. Pegou na veia, Eduardo.

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