Último filho de Inca
* Por Pedro J. Bondaczuk
A
febre turva-lhe a visão.
“Ar,
ar!”, clamam os pulmões,
estourando
de asfixia.
As
lágrimas de Inca
refrescam-lhe
o calor.
O
deus está irado.
Permitiu
ao invasor
apossar-se
da dádiva
exclusiva
dos filhos do sol.
As
forças, lentamente, se esvaem.
“É
um duro pesadelo”, pensa,
“do
qual, presto, vou despertar”.
“Amanhã,
ofertarei outra virgem,
no
altar sagrado de Inca,
para
que não mais tenha
sonhos
tão opressivos, maus!”.
Mas,
oh! Não era sonho!
Estava
emparedado
e
faltava-lhe ar, ar... a ..r...!!
O
varão desfaleceu.
Cortejo
de virgens nuas,
com
ânforas de chicha,
e
fartos favos de mel,
recepcionam-no
no pórtico.
E
Inca vem buscar,
em
pessoa, com amor,
Atahualpa,
o mancebo,
seu
derradeiro
rebento
na Terra.
(Poema
composto em Sumaré, em 24 de junho de 1974).
*
Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de
Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do
Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções,
foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no
Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios
políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance
Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas),
“Antologia” – maio de 1991 a maio de 1996. Publicações da
Academia Campinense de Letras nº 49 (edição comemorativa do 40º
aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio
de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53,
página 54. Blog “O Escrevinhador” –
http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
Os incas misteriosos despertam todas as ideias.
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