Otimismo
e pessimismo
* Por
Pedro J. Bondaczuk
O
otimismo e o pessimismo são duas atitudes antagônicas e
aparentemente inconciliáveis, que merecem uma análise fria e
desapaixonada, porquanto há muito equívoco em torno de ambas. A
primeira delas, por definição, é a disposição para encarar as
coisas por seu lado positivo e esperar sempre por um desfecho
favorável, mesmo em situações muito difíceis. Este seria o ânimo,
pois, do otimista, claro.
O
pessimista, óbvio, agiria de forma diametralmente oposta. O mestre
Aurélio define pessimismo como a disposição de espírito que leva
o indivíduo a encarar tudo pelo lado negativo, a esperar de tudo o
pior. Ouso afirmar, contudo, que nenhuma dessas atitudes subsiste na
mente de quem quer que seja em estado, digamos,k de “pureza”.
Ambas vêm misturadas, posto que em proporções variadas, que vão
de um pouco mais de 1% até 99%, dependendo da pessoa, de sua
personalidade e, principalmente, das suas circunstâncias.
Não
confundam, todavia, as duas predisposições com alienação.
Refiro-me, aqui, somente a indivíduos e situações, digamos,
“normais”. Ninguém, por mais feliz e realizado que seja, é
otimista o tempo todo e igualmente não há quem se mostre pessimista
renitente em todos os dias de sua vida.
Temos,
isto sim, “momentos”, para alguns maiores e para outros mais
restritos, de otimismo e de pessimismo. O que se costuma fazer, via
de regra, é rotular as pessoas. Impingem um rótulo na testa de
alguém, que atravesse um mau momento (ou bom, em contrapartida) e
que reaja conforme essas circunstâncias, e pronto. Ele passa a ser
aos olhos do mundo “pessimista” (ou então “!otimista”).
O
tema vem à baila a propósito da observação de um leitor de que
meus últimos textos neste espaço estão carregados de pessimismo.
Discordo. Não estão. Não é esta a minha predisposição atual. O
que tenho escrito e que parece tão pessimista aponta, sim, uma
realidade feia e perigosa, no caso a que se refere à crescente e
acelerada depredação do meio ambiente, o que só não vê quem não
quer. E quem se recusa a ver, ora bolas, não é otimista, mas
alienado e, acima de tudo, imprudente.
Foi
a esse tipo de otimismo, que nem merece essa designação, que
Confúcio se referiu quando constatou: “O pessimismo torna os
homens cautelosos, enquanto o otimismo torna os homens imprudentes”.
Não se pode tomar isso ao pé da letra. Descamba para a imprudência,
óbvio, quem tenta superar obstáculos visivelmente superiores às
suas forças e capacidade e ainda assim vai em frente, confiante em
algum milagre de última hora, que o torne bem-sucedido. Para mim,
esse sujeito não é um otimista: é suicida.
Mas,
como afirmei acima, nenhuma dessas atitudes ocorre isolada e nem é
imutável. Oscilamos, a todo o instante, de conformidade com nosso
humor, entre o otimismo desbragado e o pessimismo sombrio e somos
incapazes de admitir. E a não admissão não se deve, nem mesmo, a
suposta teimosia nossa, mas ao fato de não nos darmos conta dessas
oscilações.
Reitero
que não me refiro a casos extremos, ou seja, dos que estão alheios
à realidade e vêem tudo cor de rosa ou dos que vivem momentos de
sofrimento intenso, físico, mental, psicológico e/ou afetivo.
Nessas circunstâncias, duvido que alguém tenha ânimo para
manifestar otimismo.
Querem
uma atitude otimista que dificilmente deixa de produzir resultados
positivos? Pois bem, entendo que esteja nessa condição a
recomendação do escritor Paulo Coelho: “Imagine uma nova história
para sua vida e acredite nela”. Lógico que não basta acreditar. A
crença, no caso, servirá apenas como gatilho, como detonador, para
o essencial: a ação. Se você quiser mudar para melhor um histórico
de vida marcado por fracassos, terá que agir nesse sentido. Ninguém
fará isso por você.
Outra
observação com a qual concordo é a feita por Émile-Auguste
Chartier. O escritor francês concluiu que “o pessimismo é humor,
o otimismo é vontade”. Ou seja, ficamos pessimistas à nossa
revelia, em determinado momento e em certa circunstância (e reitero
que ninguém mantém esse estado de espírito o tempo todo).
Em
contrapartida, nos mostramos otimistas porque queremos, porque temos
um súbito surto de esperança, porque nos alimentamos de fé, porque
confiamos em nossa capacidade e vai por aí afora. E, óbvio,
igualmente não nos manteremos nessa condição o tempo todo,
indefinidamente, porquanto isso não é humano.
*
Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de
Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do
Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções,
foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no
Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios
políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance
Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas),
“Antologia” – maio de 1991 a maio de 1996. Publicações da
Academia Campinense de Letras nº 49 (edição comemorativa do 40º
aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio
de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53,
página 54. Blog “O Escrevinhador” –
http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
Achei a explicação para o meu relativo pessimismo: cautela.
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