Mero bate-papo
Hoje
venho até você para um mero bate-papo informal, sem nenhum assunto
específico e nada de especial a tratar. Pena que se trate de
monólogo e apenas eu faça uso da palavra. Pode, claro, se
transformar em diálogo, se você quiser. Basta concordar com minhas
colocações ou discordar delas no democrático espaço dos
comentários deste cantinho da internet. Se preferir, porém, se
limitar a ler minhas divagações, esteja à vontade.
Puxe
a cadeira. Chegue mais perto do computador. Pois é, como uma
conversa puxa outra e a gente pula, sem perceber, de um assunto para
outro, talvez trate de algumas coisas úteis que sequer estavam
programadas. Mas talvez apenas…
Há
já um bom par de anos, tenho o privilégio de ser o editor de um
espaço voltado exclusivamente à Literatura e que, por isso, tem o
nome lógico (e óbvio) de Literário. No exercício dessa função,
de grande responsabilidade, tive mais satisfações do que
aborrecimentos. Caramba, é um baita privilégio ler tantos bons
textos, vindos do Brasil inteiro, e isso todos os dias do ano.
Quantos têm essa oportunidade? Pouquíssimos!
O
que mais me aborrece, ao contrário do que possa parecer diante de
minhas intempestivas manifestações a respeito, não é a ausência,
ou a escassez, de comentários, ou seja, de interatividade. Isso me
chateia, evidentemente, mas dou essas broncas costumeiras e
periódicas para provocar os leitores (no caso, vocês). Afinal, meu
papel, além de editor, é também o de “animador” da festa de
bom gosto e de talento. Por isso crio esse “tipo” de mal-humorado
e ranzinza, como era um jurado muito antigo do programa do Sílvio
Santos que fez fama com seu azedume, o Zé Fernandes.
O
que me aborrece muito é quando contestam a minha função. Explico.
Há inúmeros casos de textos que recebo em que estes contêm um
baita conteúdo, digno dos grandes escritores. Mas... (sempre há um
mas), a redação é um deus-nos-acuda! É confusa, cheia de
exclamações em lugares errados, de acentuações equivocadas e de
fartura de reticências, todas inapropriadas. Isso quando não têm
incorreções de grafia.
O
que tenho feito nestes casos? Poderia, simplesmente, ignorar esses
textos e pronto. Mas não faço isso. Praticamente reescrevo o que
está malposto, desde que tenha conteúdo, dando-lhe coerência,
entendimento e suprimindo toda a ambiguidade, até para ressaltar o
que cada um contém de positivo e aproveitável.
E
qual é a reação dos autores? A pior possível. Escrevem-me
reclamando da interferência e alguns até ameaçam-me de processo
judicial (coitados dos juízes que têm que aguentar essas abobrinhas
de imbecis tão chatos!).
Porém,
como eles acham que seriam tratados pelos editores de jornais caso
encaminhassem seus textos mambembes para publicação?
Garanto
e juro sobre a Bíblia (pois sou editor de jornal há mais de meio
século) que as providências seriam uma dessas duas: ou decidiriam
não publicar a tal colaboração, sem dar a mínima explicação a
quem quer que seja (como a imensa maioria faz), ou procederiam (com
generosidade) como costumo proceder: ou seja, fariam um bom copydesk
no texto e o publicariam (raríssimos, contudo, agiriam assim).
O
engraçado é que esses textos “mexidos” são, via de regra, os
mais elogiados pelos leitores. O fato deles haverem sido revisados,
não tira o mérito dos seus autores. A “essência” é sempre
conservada. Em qualquer editora séria esse procedimento é rotina. A
reação intempestiva e idiota, portanto, dos que são beneficiados
com o meu trabalho, é o que mais me aborrece.
Há
casos, também, em que ocorre o oposto. Em que os textos que recebo
são extremamente bem escritos, verdadeiras aulas de correção
gramatical, de uso adequado de pronomes, verbos, advérbios, de
metáforas, enfim, de esbanjamento de estilo.
Todavia,
quando “coados”, ou seja, submetidos à menor análise lógica,
revelam-se absolutamente vazios, sem nenhum conteúdo. São do tipo
“bonitinhos, mas ordinários”.
O
que faço nesses casos? Publico-os na íntegra. Afinal, eles se
constituem em excelentes exemplos formais de redação. Ademais, não
posso querer que todo o mundo que escreve seja um Henry David
Thoreau, ou um Ralph Waldo Emerson, ou um Francis Bacon ou qualquer
outro desses geniais pensadores que nos legaram obras marcantes de
profundidade, transcendência e sabedoria.
No
mais... Apesar do tempo que cada edição do Literário me toma,
divirto-me com essa atividade. Curto demais o que faço. Aprendo
coisas que faculdade alguma jamais me ensinaria. E, deixando a
modéstia de lado, também ensino muito aos que se dão ao trabalho
de lerem os meus textos sem nenhuma predisposição negativa ou
preconceito, atentando principalmente (ou somente) para o conteúdo.
Boa
leitura!
O
Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
Eu leio vários dos seus textos, mas sua produção é tão intensa que muitos dos que são publicados no Facebook, não consigo ler. Mas aqui, bato ponto todos os dias, nem que seja com um certo atraso. Aprendo, discordo, e posso dizer que reconheceria seu estilo em qualquer lugar, mesmo sem assinatura.
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