Tarefa individual
A
vida é constituída de inúmeras obrigações: para com o próximo,
para com o mundo, para com a família, a escola, a igreja, a
sociedade e, principalmente, para conosco próprios. Desde tenra
idade, somos instruídos a seguir regras de comportamento, normas de
todos os tipos e naturezas, estatutos, leis e princípios éticos e
morais de conduta. Algumas dessas imposições, é verdade, descambam
para o exagero. A maioria, porém, é necessária para uma vida
ordenada, disciplinada e produtiva em sociedade.
Nossa
maior tarefa no mundo, todavia, (diria que, se não a única, a
principal) é a de construir nossa biografia, com pensamentos,
sentimentos, atos, fatos e objetivos. É a de amar sem limites (não
importa quem), mesmo que o amor nos cause dores (se causar) e
frustrações. Ele sempre vale a pena.
É
sonhar, ter fé, esperança e força de vontade e sair em busca dos
nossos sonhos, com coragem, ousadia e determinação, por mais
elevados e supostamente irrealizáveis que sejam. É relevar mágoas,
dores, iras e fracassos e nos sentirmos felizes a cada momento, já
que felicidade é um estado de espírito. Em suma, é exercermos
nossa humanidade.
Trata-se
de tarefa rigorosamente individual. Ninguém pode executá-la por
nós. Outras pessoas podem, até, ajudar (ou atrapalhar) nossa
empreitada. Mas só nós, exclusivamente nós podemos compor (não me
refiro a escrever) nossa biografia, com pensamentos, sentimentos,
atos, fatos e objetivos estritamente pessoais.
Para
construirmos uma vida notável, que se destaque da multidão por
alguma peculiaridade e virtude especial e nos torne, não somente
conhecidos, mas admirados e até imitados através de gerações, se
requer contínuo crescimento: físico, mental, espiritual, cultural,
afetivo e vai por aí afora. Isso não ocorre aleatoriamente, por
conta do acaso (embora esse tenha imensa participação no processo).
Temos
que ser ousados, disciplinados, persistentes e determinados.
Precisamos ter forças e coragem para nos reerguermos a cada tropeço
(e são tantos os que nos haverão de acometer!). É mister saber
recomeçar, sempre que concluirmos que o caminho que escolhemos
alhures não é o mais adequado para o alcance dos nossos propósitos
e objetivos.
Esse
processo de crescimento será doloroso, por vezes, agradável, outras
tantas e repleto de fracassos e sucessos, que poderão vir em
sucessão ou se alternar. Não podemos, porém, ficar indiferentes
nem a uns e nem a outros. Cabe-nos aprender o máximo de lições com
as derrotas – em vez de nos entregarmos, tola e covardemente, ao
desalento, mágoas e lamentações – e multiplicar forças com os
êxitos, sem nunca os considerar como fins, como pontos de chegada de
uma corrida de obstáculos, mas como meras etapas de uma jornada cuja
duração jamais saberemos qual será.
Não
podemos, sobretudo, nos submeter às circunstâncias, quando estas
forem adversas e aziagas. Cabe-nos lutar, com sabedoria, estratégia
e persistência, contra elas e as tornar, de potencialmente ferozes
adversárias, em benignas aliadas. Essa “receita” funciona de
fato? Não sei. Entendo que não haja fórmulas prontas, exatas,
rigorosas, infalíveis e eficazes para o crescimento.
Estas
recomendações, todavia, são as óbvias, extraídas da experiência
de vida de pessoas tidas e havidas como vencedoras, que se
transformaram, até, em modelos de conduta, em inspiradoras de
gerações e em gigantes da espécie.
Se
vão funcionar ou não depende exclusivamente de nós e da nossa
vontade de moldar as circunstâncias aos nossos propósitos, além da
nossa competência em lidar com pensamentos, emoções e
acontecimentos e da nossa determinação de crescer, mas crescer de
verdade e sem cessar.
Entre
as recomendações dos filósofos, psicólogos, educadores e
especialistas em comportamento, e a dos poetas, que são guiados pela
intuição, prefiro a destes últimos. Afinal, não somos robôs que
possam ser programados para reagir sempre da mesma forma face a
determinadas circunstâncias. Somos, isto sim, feixes de emoções
contraditórias e nem sempre (ou quase nunca) controláveis. E
destas, convenhamos, ninguém entende melhor do que estes seres
iluminados, sensíveis e intuitivos.
Recorro,
pois, ao poeta Mauro Sampaio, que resume a caráter essa tarefa de
construção de memorável biografia, com pensamentos, sentimentos,
atos, fatos e objetivos, nestes magníficos versos finais do poema
“Esquecer a vida”:
“O
que aconteceu antes
é
o que passou na forma e no espaço.
O
que está, não está, é um constante movimento.
O
Princípio nasceu de um Sonho.
O
que se sente da vida, quando se repara nela,
é
que só vale pelo sonho que é,
ou
pelo sonho que fazemos dela!”.
Portanto,
mãos à obra!
Boa
leitura!
O
Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
Energia para construir sempre.
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