Coração solitário
* Por Pedro J. Bondaczuk
Estas coloridas pétalas
esparzidas pelo chão,
o inebriante perfume
e este irreal clarão
(brilhante, potente luz
que revelam meu mundo)
buscam eliminar a tristeza
e o acre cheiro de bolor,
dissipar a atroz treva
e tornar menos precário
o estado tão lamentável
deste meu temerário
e imprudente coração,
que vive tão solitário.
Meus versos forçados,
vazios,
vazias canções
arrítmicas,
o vazio na minha alma,
o vazio no meu mundo,
o vazio em minha vida,
o vazio em meu temário,
revelam o vazio existente
no meu coração solitário.
O Amor, que busco nas
formas,
o Amor, essência da vida,
o Amor que trago nos olhos,
o Amor que insinuo no
corpo,
o Amor que revelo nas mãos,
o Amor que cedo, por amor,
Amor trocado em Amor,
Amor que dou, não
empresto,
de nada me tem valido.
O Amor é um grande
falsário!
Embora distribuindo Amor,
sendo, até mesmo,
perdulário,
não passo de poeta falido
e de coração solitário.
Meus instantes de tédio,
minha cisma e vagar,
as estrelas, que são
minhas
em todas noites de luar,
formam, apenas, o corolário
de cismas e inquietações
que se resumem em penas,
de queixas, extenso
rosário,
e insatisfação contínua
de um coração solitário.
(Poema composto em Campinas,
em 24 de novembro de 1968).
*
Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de
Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do
Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções,
foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no
Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios
políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance
Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas),
“Antologia” – maio de 1991 a maio de 1996. Publicações da
Academia Campinense de Letras nº 49 (edição comemorativa do 40º
aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio
de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53,
página 54. Blog “O Escrevinhador” –
http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
Vejo que seu otimismo chegou depois.
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