Ruínas
da contemporaneidade ou pós-modernismo em ruínas
* Por
Jomard Muniz de Britto
Os leitores
(im)possíveis e ou dialógicos podem começar escolhendo o título. Mesmo que seja
outro, outros. Nossa ainda precária convicção nos desloca-dos dualismos.
Certo/Errado. Bem/Mal. Ideológico/Complexidades. Fissuras. Se somos ALGO
incompreensível, nossos discordantes seriam muito mais. Perdidos e brincantes
entre OUTROS CRÍTICOS.
Território movediço de
linguagens. Por que não divertir-se e até perverter-se com Dicionários?
Dialéticas revisionistas. Demandas. Ocupações. Confrontos.
Não conseguimos escapar
das citações, desde que o citacionismo foi considerado uma das características
redesenhadas da pós-modernidade. Lembram-se de Ana Mae Barbosa? Travessias da
criticidade na ArtEducação.
Dos polêmicos
pré-socráticos ao corajoso Foucault. Do eterno Nietzsche ao contemporâneo
Agamben. Da “ideia de matéria” às ideações da morte e do despertar. Ideias e
interatividades em busca de leituras transversais. Todos retornos a nos
consumir, alumbrar e desnortear.
Nunca um prefixo foi
tão superestimado: TRANS… Dos gêneros às historicidades masculinas, femininas,
neutras. O GOOGLE transformou-se na Enciclopédia como neon-tesouro da
juventude. Tudo com a maior e melhor pressa ou compressa?
Quase todas heranças e
errâncias no jogo mais do que lúdico das desterritorializações. (Lembram-se do
HOMO LUDENS?) Que enorme palavra desconstruindo territórios? Atenção para o
refrão: é preciso estar atento para pronunciá-la com a melhor dicção e
gestualidade. É preciso e urgentíssimo, como se fosse possível.
Em tudo, a favor e
contra todos os solitários e até mesmo solidários das conversações ANALíticas.
Perseguidores e releitores de FREUD podem virtualizá-lo em qualquer parte,
partido alto ou partituras operísticas e orfeônicas. VALE QUANTO PESA a
sabedoria de Silviano Santiago ou Pedro Américo de Farias. Coisa e coisas do
mundo, encontros e desatinos.
A psicanálise selvagem
jamais será domesticada, mas continua atordoando lembranças de Heráclito a
Roland Barthes. Escutas para qualquer es cre vi ven do ou ESCRIDURA.
O que Ezra Pound
ensinava com indócil pedagogismo, fazendo a hierarquia entre Inventores/Mestres/Diluidores,
foi TRANStornado pelos direitos e avessos do KITSCH. Este vocábulo saiu de
moda? Foi um rio que repassou em nossas vidas secas e universitárias? Assim,
tal e qual nada igual, a serialidade inventivo-mercadológica veio situar nosso
ROMERO BRITTO no ápice de autores consagrados como Paulo Coelho. Sangrados por
OUTROS CRÍTICOS. Traduzidos universalmente. Podem CRERRRRRRR.
Portanto, não estamos
ofendendo ninguém quando nos surpreendemos com a voracidade do neon-capitalismo
de sempre. Além e aquém dos GOVERNOS, mas bem dentro do K, do CAPITAL com seus
abismos, delações e contradicções.
Sem outras
alternativas, continuemos vampiros hipnotizados pelo enorme talento das
improvisações. Lúdicas e guerrilheiras por amadorismo. Pelo jogo dos EDITAIS e
empreendedores dos Fundos de Cultura. Continuemos miXturando as flores das
recorrências com espinhos das estranhezas. Alhos e bugalhos dos tropicaIismos e
ainda tropicologias com Y. Nossa memória errante enquanto exercício de
sujeitObjetos. Subjetivações em PERMANÊNCIA transitando pela IDADE DA TERRA ao
perspectivismo dos antropólogos em círculos de cultura. Relembram-se de Paulo
Freire agora denegado em nossa (?) PÁTRIA EDUCADORA? Até quando, ainda
perguntaria O PALHAÇO REDEGOLADO?
O que desejamos para
OUTROS CRÍTICOS afro-descendentes, indigenistas, telespectadores da AVENIDA
BRASIL em folias? Nosso ID oscilando entre astrológicas ocultações e OCUPAÇÕES
autossuperadoras. Nosso EGO perdurando entre Narcisos e demais
FUNDAMENTALISMOS. Nosso SUPEREGO atravessando ciladas pelos idioletos no
horizonte das imprevisibilidades. O que fazer com nossas RUÍNAS para todos bem
e malpensantes?
Do mais antigo jornal
em circulação na América Latina – DIARIO de PERNAMBUCO – aos confins do mais
saudável anarquismo conscientizador das OCUPAÇÕES.
Além das alternativas
missionárias pela CAIXA CULTURAL, ocupemos ESTELITAS, UNIVERSIDADES, Avenidas,
Praças, Largos entre O GALO DA MADRUGADA e o BLOCO (filosofante) do NADA.
Dialética sem SÍNTESE recuperadora? Diálogo transtornado pela Dúvida Permanente
para todos, alguns e ninguém.
Publicado
originalmente na revista Outros Críticos #7 – versão da revista on-line |
versão da revista impressa.
*
Poeta e escritor.
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