Soneto de separação
* Por
Vinícius de Moraes
De repente do riso fez-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
e das bocas unidas fez-se a espuma
e das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
que dos olhos desfez a última chama
e da paixão fez-se o pressentimento
e do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
fez-se de triste o que se fez amante
e de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do
amigo próximo o distante
fez-se da vida uma aventura errante
de repente, não mais que de repente.
Do “Livro dos
Sonetos”, Companhia das Letras, 1991.
*
Poeta, compositor e diplomata
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