D.R.
* Por Rodrigo
Ramazzini
-
Por que esta cara?
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Nada.
-
Como nada? Eu te conheço. O que foi?
-
Nada! Já disse, Paulo Henrique.
-
Pronto! Nome completo é confusão. Por que esse beiço, Ana Flávia?
-
Nada. Já disse. Coisa minha... Me deixa sozinha!
-
Se é assim...
-
É!
-
Bom! Se não queres me falar, vou indo então...
-
Espera!
-
O que foi?
-
É que...
-
Fala.
-
É que estou...
-
Fala LOGO!
-
Não grita!
-
Não estou gritando! É que irrita. O cara tem que perguntar cinqüenta vezes. Por
que não fala na primeira?!...
-
É por essas e outras que a nossa relação está deste jeito...
-
Que jeito?
-
Nada! Não vai adiantar falar mesmo...
-
Como nada, meu Deus? Que jeito, Ana Flávia?
-
Esse teu jeito! Tu mudaste, estás diferente comigo... É esse teu emprego!
-
Ai ai ai! Diferente como? O que tem o emprego?
-
Desde a tua promoção, Paulo Henrique, eu não ganho a tua atenção. É só
trabalho! Trabalho! Trabalho! Eu sempre fico em segundo plano...
-
Mas Ana Flávia, meu amor! Nós conversamos sobre isso. Tu sabias que no início
seria assim. É importante profissionalmente pra mim...
-Mas
e eu, Paulo Henrique? Não sou importante pra ti? Não ganho mais a tua atenção,
o teu carinho, nada. É só na hora do sexo e olhe lá! Nem me beijado mais tu
tens...
-
Não é assim...
-
É assim, sim!
-
Por que essa cobrança agora? Não estou entendendo...
-
E tem mais...
-
Meu Deus! Tem mais... Putz! Fala.
-
Eu disse que não adiantaria falar nada... Parece que entra em um ouvido e sai
no outro.
-
Fala, Ana Flávia, continua as cobranças...
-
Podes ironizar, ironiza, isso...
-
Não estou ironizando.
-
Se isso não é ironizar, eu não sei mais nada.
-
Quer terminar, Ana Flávia?
-
Eu acho que tu que queres.
-
Eu?
-
É... Tu que estás fazendo coisa para acabarmos...
-
O que eu estou fazendo?
-
Fica arrumando desculpinha para discutirmos. Não quer mais chega e termina!
-
Meu Deus! Tu que começaste a discussão... Deixa eu te falar uma coisa agora: Tu
também não tens prezado tanto a nossa relação assim, não. Lembra aquele sábado,
que podíamos ficar juntos e optaste em jantar com as tuas amigas, lembra? Pois
é...
-
Pronto! Vai começar a relembrar o passado. Isso foi uma vez, Paulo Henrique!
Além do mais, se eu for remexer no passado, aí a tua conta é bem maior que a
minha, quer que eu enumere? Tem a vez do futebol, do carteado...
-
Pára, Ana Flávia!
-
Agora é para parar é?
-
É sim! Vamos parar de briga, meu amor! Tu estás certa nas reclamações, eu tenho
trabalhado demais, não tenho te dado a atenção... Eu vou tentar mudar, pode
deixar!
-
Vai mesmo?
-
Vou sim! Eu prometo!
-
Quero só ver! Promete mesmo?
-
Prometo! Tu vais ver... Vou tentar te dar mais atenção, carinho, pode observar.
Vem cá e me dá um abraço para selarmos a paz!
-
Se não mudar eu juro que acabo, seu bobo!
-
Acaba nada!
-
Estás duvidando de mim? Não duvida de mim!
-
Calma! Está bem, está bem!
-
Sei!
-
Eu já disse que te amo hoje?
-
Não!
-
Eu te amo, A-na Flá-vi-a!
-
Bom ouvir isso... Fazia tempo que não dizia!
-
Vai começar?
-
Não, não! Foi só comentário...
.
* Jornalista e contista gaúcho
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