Crônica da ideia perdida
* Por
Gustavo do Carmo
A expressão que eu
ouvi em algum lugar dava um ótimo microconto, conto ou mesmo um post no Twitter.
Que poderia cair na boca do povo e ser eternamente lembrado na história da
literatura. Eu poderia ficar rico e famoso. “Gustavo, você é um gênio!” Foi só
o tempo de dizer mentalmente esta frase e imaginar o sucesso que a ideia
rapidamente se perdeu entre tantas no meu cérebro.
Como um crime, tento fazer
uma reconstituição. Refazer os passos do
suspeito. No meu caso literário, ler novamente a matéria de jornal para tentar
reencontrar a ideia. Ou procurar na internet o comercial ou o programa de televisão de onde a
inspiração teria saído. Não consigo reencontrar. E começa uma ansiedade que me
domina o dia inteiro.
Já ouvi muitas vezes:
“Ah, por que você não anota?”. Mas o problema
é justamente esse. Em primeiro lugar eu não vou sair correndo como um
louco só para anotar uma ideia. Depois, a minha ansiedade pela ideia perdida é
justamente para anotá-la, pois há uma fila imensa de ideias registradas em dois
cadernos, uma agenda de papel, dois celulares e um tablet.
Posso estar reclamando
de barriga cheia. Ou melhor, de anotações cheias. Mas é sempre bom ter várias
ideias para desenvolver. Poderei, um dia, viver da minha literatura e não ser
um escritor de uma história só. Ainda bem que anotei a ideia para esta crônica
a tempo de não esquecê-la.
*
Jornalista e publicitário de formação e escritor de coração. Publicou o romance
“Notícias que Marcam” pela Giz Editorial (de São Paulo-SP) e a coletânea
“Indecisos - Entre outros contos”.
Bookess -
http://www.bookess.com/read/4103-indecisos-entre-outros-contos/ e
PerSe
-http://www.perse.com.br/novoprojetoperse/WF2_BookDetails.aspx?filesFolder=N1383616386310
Seu blog, “Tudo cultural” -
www.tudocultural.blogspot.com é bastante freqüentado por leitores
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