Morreu mais um no morro
* Por
Assionara Souza
A paz é triste
Atônita surdez
depois do estrondo
Com passos curtos e cambaios
A mãe recolhe do varal
A roupa que o menino
Não vai mais vestir
Céu azul de abril
Guardava desde sempre
O fatídico encontro
Entre a cabeça e o projétil
Tivesse ela lembrado
(refaz mil vezes o instante antes
em que ele era só um menino
vivo entre os outros meninos vivos)
Chamava: Eduardo, entra! Tem polícia no morro!
Não morra, menino
Nem seja a masmorra seu destino
*
Escritora
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