“Vaca”
* Por
Eduardo Oliveira Freire
Luiz Antônio sempre
sonhou em ser escritor de sucesso, mas nunca escreveu um parágrafo sequer. Ele
não pensava na escrita e sim no status de um escritor de renome que mora em uma
ilha paradisíaca e numa espetaculosa mansão. Sonhava acordado com os prêmios
literários, champanhes e festas de arromba com celebridades internacionais.
Imaginava até aventuras eróticas com modelos que iriam visitá-lo, ficando
admiradas por sua cultura, inteligência e o corpo malhado. Pois, além de
escritor, em devaneios, também se dedicava, por três horas e meia, a treino na
sua academia particular.
Um dia, resolveu
escrever um best-seller e decidiu se matricular numa oficina de contos de certa
senhora escritora. Achava que resolveria todos os seus problemas, já que ao
fazer a oficina, poderia conhecer contatos de alguma editora bacana.
Com o passar das
aulas, percebeu que o ato de criar não era tão fácil assim. A inspiração não
vinha somente com as ninfas que pegavam carona com a brisa da alta madrugada,
pelo contrário, a senhora mostrou que para escrever ficção precisava muito
estudo e trabalho. Luiz Antônio se
aborreceu com a descoberta de que não seria tão fácil como pensava.
Tentava ler os livros
sugeridos pela velha escritora e, em seguida, surgia um tédio terrível e as
pálpebras ficavam pesadas. Quando tentava escrever, empacava, ficando horas em
frente ao computador. O arquivo em branco do Word mostrava com ele era vazio de
ideias.
Desistiu da oficina em
poucas semanas. Ficou com raiva da senhora escritora, pois ela destruiu seu
sonho de ser um célebre escritor, sem nenhum tipo de esforço.
*
Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural e aspirante
a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
O sabor da realidade muitas vezes é amargo. Como diz meu filho: "sem dor, sem ganho".
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