Dia da partida
* Por
Ana Deliberador
Dia muito claro, de
uma luminosidade tão suave quanto intensa.
A subida, quase
vertical, era ladeada pela mata rica e perfumada, que tanto amava. No topo,
muitos dos amigos o esperavam, sorrindo. Sua mãe e seu pai gesticulavam,
pedindo que se apressasse.
Estranhamente, sentia
que o cansaço diminuía à medida em que caminhava. Seu coração ficava mais leve,
apesar de uma certa angústia que não conseguia definir.
– José…Joséé! – alguém
chamou às suas costas. Estacou, parou para ouvir melhor.
– Joséé…não vá!
Essa voz…que estranho.
Era a voz de Anita. Mas voltar!? Voltar
por quê!? Estava com tanta pressa!
– Joséé…não me
deixe!!!
A angústia na voz de
Anita era tanta que ele…voltou.
Passaram-se os meses.
Seu sofrimento era sem
medida. Tão grande que Anita passou a pedir, implorar, que fosse embora.
Mas ele não ia. Ainda
não.
E Anita passou então a
rezar, arrependida de não tê-lo deixado partir.
Rezou, rezou muito!
E José, sabendo que
agora poderia fazê-lo, foi embora.
E, finalmente,
descansou em paz!
*
Professora, pintora e escritora
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