Mamãe
eu quero ir a Cuba
* Por Ruth Barros
Anabel se prepara para ir a Cuba com a
querida amiga Raquel, que entre outros méritos rima, mas uma dúvida assalta o
coraçãozinho da escriba – antes, durante ou depois da morte do Fidel? Esse personagem
me lembra um pouco uma história engraçada sobre o Roberto Marinho, outra
espécie de ditador, pois ditou e dita ainda o imaginário e a moda da nação com
a TV Globo. Pois reza a lenda que o jornalista Roberto Marinho, como gostava de
ser conhecido, em reunião com seus executivos e herdeiros, preocupado com a
questão de sucessão, chegou a dizer “se eu morrer”...
No caso do Fidel o se parece ter sido
substituído pelo quando, é apenas uma questão de tempo, que é o que me
preocupa. Anabel e Raquel terão apenas uma semana na ilha, bem no princípio de
janeiro. Sempre quis conhecer Cuba e quero aproveitar enquanto não vira
protetorado americano, mas e se o comandante – literalmente – bate as botas?
Como jornalista, raça que por definição adora grandes acontecimentos, seria o
máximo ver como o país se despede de seu líder, o último dos grandes caudilhos.
Mas como turista, que paga a viagem do próprio bolso, deve ser um saco
enfrentar todos os contratempos que essa morte deve gerar, pois acho que nem o
próprio Fidel tem idéia do que vai acontecer em sua ausência.
Vai parar tudo, vai haver motins e
revoltas, Raul, o primeiro irmão na linha de sucessão vai segurar a peteca?
Vamos conseguir tomar o avião para Cayo Largo, uma praia que foi descrita por
outra amiga como pedaço do paraíso no Caribe? Aliás, conseguir pegar o avião
não deveria ser preocupação de nenhum brasileiro, raça já acostumada com apagão
aéreo. Mas uma coisa é ter de voltar para casa e esperar até que as coisas se
acalmem, outra coisa é ficar na mão de calango, quer dizer, de cubano, parada
no aeroporto de Havana. O céu de Anabel
parece duvidoso. Peço aos amados e escassos leitores que torçam por nós e se
não conseguirem fazer nenhuma previsão melhor, pelo menos aconselhem que tipo
de roupa levar. Praia ou um pretinho básico para o enterro?
Anabel Serranegra e Fidel Castro têm
uma coisa em comum: nenhum dos dois estará presente na segunda posse do
presidente Lula
* Maria Ruth de Moraes e Barros,
formada em Jornalismo pela UFMG, começou carreira em Paris, em 1983, como
correspondente do Estado de Minas, enquanto estudava Literatura Francesa. De
volta ao Brasil trabalhou em
São Paulo na Folha, no Estado, TV Globo, TV Bandeirantes e
Jornal da Tarde. Foi assessora de imprensa do Teatro Municipal e autora da
coluna Diário da Perua, publicada pelo Estado de Minas e pela revista Flash,
com o pseudônimo de Anabel Serranegra.
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