Recomendações aos brasileiros sobre os turistas na Copa
* Por
Emir Sader
A Copa pode ser um
momento difícil para os brasileiros, tendo que aguentar gente sem a mínima
educação, achando que são os civilizados visitando os bárbaros.
O brasileiro é conhecido
por sua simpatia e amabilidade com todo mundo, inclusive com os turistas. Mas é
preciso tomar precauções quando nos preparamos para recebemos grande quantidade
de turistas, munidos de preconceitos, clichês, taras, etc. Vamos recebê-los com
a hospitalidade de sempre, mas temos que levar em conta certas normas, baseadas
na nossa experiência de tratamento com os turistas, mas também em conhecimento de coisas que acontecem hoje no
mundo e que nos obriga a ficarmos muito alertas com os turistas, especialmente
os da Europa, dos EUA e de outras regiões do mundo que se consideram superiores
aos outros, “civilizados” que vem a um país “bárbaro”.
São gente em geral com
boa disposição com o Brasil mas que, colocando pra fora algumas taras pessoais,
alimentando preconceitos e clichês, podem se tornar pessoas sumamente
perigosas, violentas, sob o efeito do álcool, de drogas e outros
estupefacientes.
Vai ser um momento mudo
bom, mas também muito cheio de provas para nós, brasileiros. Podemos ter
certeza de que sairemos bem dessa circunstância, mas para isso temos que
obedecer a certas normas e comportamentos.
1. Muitos turistas,
especialmente vindos de alguns países da Europa, já contratam em agências de
turismo, programas de turismo sexual, inclusive de pedofilia. Vamos ser muito
duros com eles, nos mantermos vigilantes, denunciarmos suas atitudes,
acompanharmos os procedimentos policiais e garantirmos que eles sejam punidos
exemplarmente aqui mesmo.
2. Muitos turistas
acham que vivem aqui no paraíso das drogas, que podem consumir o que bem
entenderem, entrar em contato com traficantes e aviõezinhos, fumar e cheirar o
que bem entendam. Devemos cuidar para que depois não venham denunciar que
caíram em algum golpe de forma inocente.
3. Muitos torcedores –
especialmente europeus – costumam se comportar de maneira preconceituosa e
desrespeitosa com pessoas que julgam de menor nível de vida e, especialmente,
de outras etnias. Os europeus desenvolveram, ao longo da sua história, uma
concepção de que “negro serve para ser escravo”, para trabalhar como raça
inferior para que eles se enriquecessem. Até hoje, muitos ainda consideram os
negros uma raça inferior. Por isso que grita ofensas aos jogadores negros nos
campos de futebol, jogam bananas para alguns deles.
Devemos estar muito
vigilantes com esses comportamentos estúpidos de alguns turistas. Discriminação
aqui é crime inafiançável, previsto na Constituição. Por lá eles tendem a ser
condescendentes com esse tipo de comportamento, porque é o sentimento que
grande parte deles tem em relação aos imigrantes, por exemplo, fazendo com que
a força política que mais cresça lá seja a extrema direita, que ataca
fortemente os direitos dos imigrantes e os discrimina fortemente, desejando
expulsá-los dos seus países.
4. Muitos turistas vem
de países em que a mídia e mesmo meios governamentais os preparam para vir
encontrar um caldeirão de conflitos e violências por aqui. Acreditam que podem
ser assaltados a cada esquina, que vão encontrar macacos, cobras, em cada rua,
que não podem sair à noite pelas ruas. Que, ao contrário do que Lula propalou
pelo mundo afora, a miséria, a pobreza, o desemprego, só aumentam, há uma crise
social prestes a explodir.
5. Na Europa em
particular, os níveis de desemprego são altíssimos. Em países como a Espanha,
Portugal, Grecia, mais do que 50% dos jovens são desempregados, há anos. Eles
não estão acostumados mais a situações de pleno emprego. Podem estranhar. Não
tem um líder popular como o Lula. Podem estranhar. Ainda mais se lerem os
jornais, lembrarem do que leram nos seus países, podem achar que há um Estado
policial que impede as pessoas a se manifestarem por emprego, por salário, por
licença desemprego. Podem se comportar de maneira estranha.
Em suma, a Copa pode
ser um momento difícil para os brasileiros,
tendo que aguentar muita gente sem a mínima educação, achando que são os
“civilizados”, se achando os “democratas”, sem saber conviver com pessoas
diferentes em étnicas em comportamentos, em valores. Mas acho que vamos
sobreviver, com nossa hospitalidade, nosso costuma de conviver com gente
diferente, nossa forma bem humorada de levar adiante os problemas, de gozar os
“gringos” que vierem metidos a besta.
* Sociólogo
e cientista político
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