segunda-feira, 1 de abril de 2013


Réquiem para Cazuza

* Por Talis Andrade

Cazuza se foi para a Grande Viagem
Certeira flecha atravessou-lhe o coração
o incidido coração de pajem
Certeira flecha atravessou-lhe o coração
de pássaro

O belo corpo amado pelos erômenos
o corpo desejado pelas ninfetas
cobriram de cravos brancos
e crisântemos
O corpo devorado pelas dores do mundo
encerraram em um esquife de chumbo

O esquife selado inumaram
em um jazigo de concreto
indestrutível impenetrável abrigo

O belo corpo tocado
por milhares de fãs
O corpo desfrutado
nos camarins
O corpo adorado
nos palcos e camarotes
O corpo sangrado
nos botequins
jaz prisioneiro
em um canteiro
de lixo atômico

Cazuza se foi
O coração de anjo
cortado em pedaços
Diante de tanta festa
nem parece a morte veio
armada de arco e flecha
Diante de tanta festa
nem parece a morte veio
roubar as maçãs de ouro
da juventude em flor

* Jornalista, poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e “A República” (Natal). Tem 13 livros publicados, entre os quais o recém-lançado “Romance do Emparedado” (Editora Livro Rápido) e outros à espera de edição.

2 comentários:

  1. Cazuza merece todos os réquiens. Que a sua poesia seja eterna.
    Abraços Talis.

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  2. Que lindeza! Mesmo morto ele iria adorar. Lembrei-me da mãe dele. Outra que se emocionaria. Parabéns!

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