Pílulas literárias 161
* Por
Eduardo Oliveira Freire
ACUMULO
Quanto mais armazenava informações, sua mente não conseguia mais selecionar o que servia. Aos poucos sua memória se transformou em lixão.
Quanto mais armazenava informações, sua mente não conseguia mais selecionar o que servia. Aos poucos sua memória se transformou em lixão.
***
CANTO
Deprimido
em sua banheira de ouro, bebe champanha e cheira uma carreira de cocaína. Ouve
ao longe a faxineira cantarolando uma canção que o faz se lembrar de quando era menino, quando corria pela imensidão do campo. Depois, retornava para os braços da avó, que o ninava com o mesmo canto. De repente,
sente a avó abraçá-lo e ele dorme profundamente.
***
INSTANTES...
A
mulher fazia brigadeiro para os netos e o marido pegava a colher para saborear
o doce. Chamava a esposa de mãe, por instantes, e ela não gostava disso.
***
NA PRAÇA
Era hábito José jogar
xadrez na praça. Com o tempo, os parceiros morreram. Mas, não se sentia
sozinho, continuava a jogar com os antigos companheiros na mesma hora e no
mesmo lugar de sempre.
* Eduardo Oliveira
Freire é formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense,
com Pós Graduação em Jornalismo Cultural na Estácio de Sá e é aspirante a
escritor
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