O longo caminho de casa
* Por Alberto Cohen
Não insiste. Embora os pés saibam o caminho
do reencontro com o lugar querido,
e a mente guarde a imagem de janelas brancas
e das pessoas solitárias, tristes,
que eram teu mundo, teu único mundo.
Sim, aquela igreja e a árvore gigantesca
estão lúcidas em ti como se os olhos
as vissem exatamente como outrora,
quando o mundo era pequeno e de janelas brancas.
Pára agora! Não deixa que as ausências te roubem
os sofás de vime, a bicicleta e o sino das seis horas.
Estão lá os amiguinhos e a bênção da chegada,
os periquitinhos em sua revoada,
o enorme sorriso da quase namorada
e as nuvens de samaúmas embranquecendo o céu.
Que fiquem juntos todos e contigo
naquilo tudo que preservaste e existe
no teu tempo de sonhar que ainda pode existir.
Pára! Não vai nem volta, simplesmente guarda
as histórias mais singelas e encantadas
do garotinho que sempre serás.
Não importa o presente, não teme o futuro,
pois as janelas brancas nunca vão fechar.
• Poeta e escritor paraense
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