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Ei, você!
* Por Renato Manjaterra
É, que nestes dias resolveu andar com a bandeirinha do Brasil tremulando na janela do carro. Ou nas janelas, dos dois lados, pra que não fique dúvida alguma da sua nacionalidade ou da sua torcida. Resolveu ser brasileiro ultimamente é?
Se bem me recordo, você não era assim tão brasileiro quando a polícia do seu país atirou num aposentado inocente, cuja casa foi alvo de uma já usual revista sem mandado, era?
Você era brasileiro quando um deputado do seu congresso saiu dirigindo em alta velocidade, matou dois jovens que estavam simplesmente voltando pra casa e está até hoje solto pra matar mais gente, era?
Não me recordo de você abanando bandeira quando soube, pela imprensa, que quase a metade do ano você trabalha pra custear seu governo que não lhe devolve benefício algum.
Cadê sua bandeira abanando quando seu governo obriga você a pagar seu sindicato, retém 60% da arrecadação sindical e ainda pretende que você aceite que sindicatos defendem as classes que representam? Resolveu quando adotar este ufanismo todo?
Certamente não foi em comemoração à impunidade dos Pimenta da Veiga ou dos Palocci da vida, foi? Tá certo. Você vai dizer que é só uma torcida de futebol.
Daí, o time do Brasil ganha a Copa e você, certamente, mais brasileiro que nunca, engrossa o coro dos contentes porque sai por aí comemorando que “O Brasil ganhou!” e esquece, como muitos, que ganhar é verbo transitivo e pede um complemento.
Esquece que a “Copa” é muito pouco significativa dos ganhos de que precisamos e merecemos. Responde pra mim ô brasileirinho patriota periódico: o Brasil ganhou o quê? Pensa aí, brazuca entusiasmado: só mereceremos tremular as bandeiras com as quais hoje se enfeitam os carros, quando elas puderem significar o orgulho legítimo de fazer parte de um país justo de verdade, honesto de verdade e, sobretudo, ético e sério como devem ser os países que querem merecer o orgulho de seus povos.
* Jornalista e escritor, webdesigner, colunista esportivo, pontepretano de quatro costados, autor do livro “Colinas, Pará” com prefácio do Senador Eduardo Suplicy, bacharel em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUCAMP, blog http://manjaterra.blogspot.com
* Por Renato Manjaterra
É, que nestes dias resolveu andar com a bandeirinha do Brasil tremulando na janela do carro. Ou nas janelas, dos dois lados, pra que não fique dúvida alguma da sua nacionalidade ou da sua torcida. Resolveu ser brasileiro ultimamente é?
Se bem me recordo, você não era assim tão brasileiro quando a polícia do seu país atirou num aposentado inocente, cuja casa foi alvo de uma já usual revista sem mandado, era?
Você era brasileiro quando um deputado do seu congresso saiu dirigindo em alta velocidade, matou dois jovens que estavam simplesmente voltando pra casa e está até hoje solto pra matar mais gente, era?
Não me recordo de você abanando bandeira quando soube, pela imprensa, que quase a metade do ano você trabalha pra custear seu governo que não lhe devolve benefício algum.
Cadê sua bandeira abanando quando seu governo obriga você a pagar seu sindicato, retém 60% da arrecadação sindical e ainda pretende que você aceite que sindicatos defendem as classes que representam? Resolveu quando adotar este ufanismo todo?
Certamente não foi em comemoração à impunidade dos Pimenta da Veiga ou dos Palocci da vida, foi? Tá certo. Você vai dizer que é só uma torcida de futebol.
Daí, o time do Brasil ganha a Copa e você, certamente, mais brasileiro que nunca, engrossa o coro dos contentes porque sai por aí comemorando que “O Brasil ganhou!” e esquece, como muitos, que ganhar é verbo transitivo e pede um complemento.
Esquece que a “Copa” é muito pouco significativa dos ganhos de que precisamos e merecemos. Responde pra mim ô brasileirinho patriota periódico: o Brasil ganhou o quê? Pensa aí, brazuca entusiasmado: só mereceremos tremular as bandeiras com as quais hoje se enfeitam os carros, quando elas puderem significar o orgulho legítimo de fazer parte de um país justo de verdade, honesto de verdade e, sobretudo, ético e sério como devem ser os países que querem merecer o orgulho de seus povos.
* Jornalista e escritor, webdesigner, colunista esportivo, pontepretano de quatro costados, autor do livro “Colinas, Pará” com prefácio do Senador Eduardo Suplicy, bacharel em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUCAMP, blog http://manjaterra.blogspot.com
O Eduardo Murta fez uma crônica onde fala do
ResponderExcluirgoleiro Barbosa que na copa de 1950 foi
considerado o carrasco do Brasil na final.
O que mais me espanta nisso, é que esse fato
por estar aliado a uma copa do mundo ainda
ressoa, as pessoas lembram...
Porém ignoram as mazelas, os crimes hediondos
e a corrupção.
Tá tudo tão banalizado, tão sem valores...
O que esperar de um povo cuja catarse é gritar
gol?
Ótimo texto.
Não tem nada a ver. É como associar sexo e procriação.
ResponderExcluirPedro, pelo amor de Deus, esse texto não é meu! Coloquei a autoria no meu blog, é da minha mãe, a professora, antropóloga e publicitária RenatA Manjaterra. Muito obrigado!
ResponderExcluirE que foto mais... "ufanista", hein?
ResponderExcluirNa época da ditadura eu também era contra o Brasil participar da Copa do Mundo, mas com o tempo percebi que o futebol e o carnaval são as maiores festas do povo, que quem quiser entender a alma desse povo, e lutar por melhores condições de vida para ele, precisa antes de tudo conhecer o que ele sente, o que ele gosta. Precisa "comungar com o povo".
ResponderExcluirSeria um crime impedir os brasileiros de torcer por sua seleção de futebol, de comemorar quando ela ganha, de chorar quando ela sofre derrota. Estou errada? Nâo sei...
Em minha crônica de hoje falo como foi que cheguei a isso.
Abraços
Gostei do texto.
ResponderExcluirNa coluna "Observações e Reminiscências" de hoje relembro o "Pra frente Brasil!" e o
"Ame-o ou deixe-o"! Vamos lá?
Abraços patrióticos do,
Zé Calvino