segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Analfabetos funcionais - Emanuel Medeiros Vieira


Analfabetos funcionais

* Por Emanuel Medeiros Vieira

Como votar com consciência e não ser ludibriado por marqueteiros muito bem pagos, nem ser enganado por "Fake News", que inundam as redes sociais?

É preciso saber onde pisamos.

Três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no País - 27 por cento do total, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas - são considerados analfabetos funcionais.

Como esclarece matéria de Isabela Palhares e Juliana Diógenes, esse grupo tem muita dificuldade de entender e de se expressar por meio de letras e números em situações cotidianas" (...).

O estudo foi realizado pelo Ibope Inteligência, e desenvolvido pela ONG Ação Educativa e pelo Instituto Paulo Montenegro.

Nessa faixa de 29 por cento de brasileiros classificados nos níveis mais baixos de proficiência em leitura e escrita, há 8 por cento de analfabetos absolutos (quem não consegue ler palavras e frases).

Os outros vinte e um por cento estão no nível considerado elementar (não localizam informações em um calendário, po exemplo).

Poderia desenvolver mais um tema tão importante.

Mas não quero cansar o leitor - já saturado de tantas informações (falsas ou verdadeiras).

Mas lembro do diagnóstico de Ocimar Tavares, professor da Faculdade de Educação da USP: "Não há politicas consistentes e inteligentes na educação de jovens e adultos. Não têm condições pedagógicas - um exemplo são as salas superlotadas. E muitas políticas são interrompidas".

ELEIÇÕES

Como disse alguém, difundir ideias sob o manto do anonimato de quem pagou para difundi-las "não é apenas um crime, é um atentado à democracia, o vale-tudo em eleições".
Muito dizem: "a gente faz o diabo".
Mas o diabo mora nos detalhes e "costuma se voltar para quem os soltou".

EXPLICAR

"É difícil explicar para o sujeito cujo ganha-pão é não entender o que você está tentando explicar".
(Upton Sinclair - 1878/1968)
(Brasília, setembro de 2018)

* Romancista, contista, novelista e poeta catarinense, residente em Brasília, autor de livros como “Olhos azuis – ao sul do efêmero”, “Cerrado desterro”, “Meus mortos caminham comigo nos domingos de verão”, “Metônia” e “O homem que não amava simpósios”, entre outros. Foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura de 2018.





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