Poética
*
Por Suzana Vargas
Cortaram-me
as únicas hortas de
descanso
Serão sempre um enigma meus livros
A dúvida
Surge logo na ante-sala do
apartamento
entre a simplicidade dos móveis espalhados
e o requinte de tapetes tabacow
Venho de um lugar quase
inexistente
onde as mulheres fabricam a
manteiga, o pão,
e a carne comida à mesa é trabalho
do marido
o fogão à lenha crepita
viandante
nas brumas do inverno
Por mais que me esforce
não consigo a estratégia urbana
do verbo
O pensamento não tropeça
escorrega apenas – gestos simples –
- Deixar a você o resultado
- Dá-lo inteiro
- Induzir-te a ele?
Abro tudo um buquê de
palavras sem conseguir dize-las
complicadas
“Quanto mais caro melhor”
é o que se ouve e o que
se aplica
O bicho da indagação
hesita e fica
descanso
Serão sempre um enigma meus livros
A dúvida
Surge logo na ante-sala do
apartamento
entre a simplicidade dos móveis espalhados
e o requinte de tapetes tabacow
Venho de um lugar quase
inexistente
onde as mulheres fabricam a
manteiga, o pão,
e a carne comida à mesa é trabalho
do marido
o fogão à lenha crepita
viandante
nas brumas do inverno
Por mais que me esforce
não consigo a estratégia urbana
do verbo
O pensamento não tropeça
escorrega apenas – gestos simples –
- Deixar a você o resultado
- Dá-lo inteiro
- Induzir-te a ele?
Abro tudo um buquê de
palavras sem conseguir dize-las
complicadas
“Quanto mais caro melhor”
é o que se ouve e o que
se aplica
O bicho da indagação
hesita e fica
*
Poetisa gaúcha, radicada no Rio de Janeiro, autora de literatura
infantil e ensaísta. Tem 16 livros publicados, entre os quais
“Sombras chinesas” , “Caderno de Outono” (indicado ao Prêmio
Jabuti) e “O amor é vermelho”.
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