domingo, 1 de abril de 2018

O poder da escola - Marcos Alves


O poder da escola


* Por Marcos Alves


O Brasil tem uma dificuldade enorme em formular e implementar medidas e ações que tenham sucesso na diminuição dos índices de violência e pobreza. Males que se alimentam um do outro em nosso país e se multiplicam feito praga. Estão à beira dos nossos quintais, escondidos nos porões da sociedade. A incerteza de ir até a esquina sem saber se voltamos para casa.

Exageros e paranóias à parte, além dos governos o problema também é nosso – como disse aqui nesse Literário –, e não tem solução a curto prazo. Mas não consigo ser, absolutamente, pessimista, ainda que o quadro seja mais que desanimador, absurdo. Porém é impossível não se envolver, não é mesmo? Afinal, tudo isso aqui um dia será de nossas crianças. Sina de país subdesenvolvido. não fosse o destino um dia escolher ser esse o lugar onde iríamos viver.

Por isso fiquei satisfeito ao ler no jornal que a prefeitura da minha cidade – também criticada no artigo anterior – acaba de lançar um programa para jovens baseado no modelo de escola integral. Além do ensino regular receberão formação profissionalizante e humanista.

Um trabalho sério nessa área, respeitados os princípios da continuidade e da ética, pode mesmo trazer bons frutos, alimentar o espírito e o corpo, além de manter esses jovens boa parte do dia longe do ócio ruim, que ajuda a elevar os números da violência. É diferente de ensinar os garotos e garotas a fazer malabarismo e depois ele ir mostrar isso para ganhar um troco no cruzamento movimentado. Desespero de causa ou mera dissimulação?

Acho que qualquer menino ou menina de 15, 17 anos tem sonhos muito maiores que o de vender bala no ponto de ônibus ou catar papelão nas lixeiras. Há pais e mães que alimentam a si e suas famílias assim e não há em si nada de mal nisso, pelo contrário. Mas é improvável que alguém que tem energia suficiente para mudar o mundo – se possível fosse – esteja satisfeito com essa perspectiva pela frente.

Também não tenho nada em geral contra projetos que promovam oficinas de circo, dança, teatro, artesanato e outras formas de arte nas áreas pobres. Mas não trazem os resultados que a escola realmente preparada para a formação do jovem pode oferecer, incluídos os recursos materiais necessários. Essas crianças bem assistidas poderão voltar a sonhar com um futuro melhor e isso beneficia a todos. Cria uma alternativa, abre o leque de possibilidades.
Só não pode acontecer agora (não creio nisso, estamos em 2007!) o que era comum há uns 30 anos, mais ou menos. Bastava o adversário político assumir o poder para abortar todos os projetos do antecessor, fossem bons ou ruins . Isso foi usado contra os tucanos na campanha presidencial por causa do bolsa-família – que erradamente, a meu ver, tomou o lugar bolsa-escola. E a prefeitura a que me refiro é do PT. Portanto, não há aqui partidarismos ou inclinação ideológica. Apenas um desejo sincero de que as novas escolas sirvam ao propósito de pelo menos acolher parte dessa imensa massa de jovens desesperançados. E possam dar a eles e a nós uma perspectiva melhor de futuro.

  • Marcos Alves é jornalista e diretor de vídeos.




Um comentário: