A
louca e a puta
*
Por Luara Colpa
Ontem
na festinha um cara ficou me olhando muito, desagradável. Fui
dançar mais pra frente, ele seguiu.. comentou com os amigos e ficou
fazendo aquela cara ridícula de sedução que os héteros fazem.
Desprezei.
Não
passaram 5 minutos apareceu a sua companheira. Como prevíamos. Ela
abraçou-o por trás e olhou pra mim. Como prevíamos. Fui pra mais
longe ainda.
Quando
saí do banheiro ele estava lá com um canudo idiota na boca em
câmera lenta me olhando. Olhei pra cima e a moça viu a cena. Peguei
minhas coisas e fui embora.
O
resto da história: a moça vai ficar chateada com razão, vai
brigar. O camarada vai dizer que não fez nada e que ela está louca.
Vai argumentar que ‘não aguenta ciumera’ e que se for isso ele
‘sai fora’.
Vai
falar com soberba e desprezo com uma narrativa que a ponha em dúvida.
Ela vai duvidar de si e me ver como inimiga. Talvez chore. Talvez só
fique um pouco quieta. Vão se abraçar e transar/dormir.
Se
eu aparecer novamente numa outra festa, a moça vai ficar insegura..
e o ciclo de repete. Pra sociedade eu sou a puta. Ela é a louca,
ciumenta, fraca. Ele é só um homem.
E
assim segue o ciclo. Eu a entendo. Também sou a louca, ciumenta,
fraca… ou puta. Se eu tivesse falado alto com ele, se eu tivesse
falado com ela. Se ela tivesse apelado com ele, ou até terminado o
raio do namoro…
Ainda
assim seríamos: a louca e a puta. O homem é sempre o homem.
*
Jornalista.
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