Poema
sem importância
* Por Pedro J. Bondaczuk
Não
importa a imagem cansada
que
a luz projeta no espelho,
a
retina fotografa,
o
computador analisa
e
requisita manutenção.
Não
importa a hematoma roxa
das
olheiras circulando os olhos,
nem
as raias vermelhas
que
contrastam com seu azul.
Não
importa a devastação dos cabelos,
as
clareiras da calvície
e
algumas mechas de algodão,
descoloridas
pelo uso.
Não
importam os vincos na testa,
as
cicatrizes de angústias
de
comezinhas preocupações.
Não
importam as bochechas murchas,
flácidas,
elásticas, ocas,
ante
a ausência de dentes.
Não
importam os dentes falhos,
coloridos
de nicotina,
estiletes
amarelados,
desgastados
pelo uso.
Não
importa a lixa da barba
escondendo
sulcos profundos
que
o Tempo riscou.
Não
importa o tremor das mãos,
o
porte recurvado
pela
escoliose,
como
se os fardos dos anos
fossem
sacos de estopa com chumbo.
Não
importa a imagem desgastada,
a
estrutura devastada,
o
aspecto melancólico.
Importa
que a chama do entusiasmo
a
Tempo ainda não apagou!!!
(Poema composto em Campinas,
em 24 de junho de 1974 e publicado no "Jornal de Paulínia",
em 22 de outubro de 1977).
*
Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de
Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do
Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções,
foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no
Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios
políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance
Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas),
“Antologia” – maio de 1991 a maio de 1996. Publicações da
Academia Campinense de Letras nº 49 (edição comemorativa do 40º
aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio
de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53,
página 54. Blog “O Escrevinhador” –
http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
Ainda menino e já se sentindo acabado. Quanta inocência. É um pouco como uma barriga de gravidez. Boa parte das mulheres, aos sete meses de gestação, diz ter certeza de não chegar aos nove meses, pois a barriga está imensa. Mal sabe ela que em dois meses o tamanho da circunferência irá dobrar. O tempo e a experiência vão mostrando como nos enganamos em relação a muitas mudanças corporais. No Brasil fazer 40 anos é ficar velho, porém esse conceito já vem mudando, pois muitos ultrapassam os 90 anos, e chegar aos 80 é algo que muitos almejam alcançar.
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