Limbo
*
Por Talis Andrade
Pelo
tempo infinito
eu
permaneça
protegido
das
águas escumantes
que
incharam o corpo
do
poeta Sheley
das
águas viscosas
venosas
que
apodreceram
Tchaikovsky
Protegido
permaneça
da
sina de Pilatos
morto
afogado
em
invisível taça
de
vinho morno
com
gosto
de
chumbo
e
posca
Protegido
das chamas
que
consomem as almas sebosas
dos
possuídos por Lúcifer
os
filhos da perversidade
os
governantes corruptos
os
legisladores vendidos
os
juízes iníquos
os
escravocratas
que
submetem o povo
na
fome e no afogo
os
que transformam o mundo
em
uma cavidade tenebrosa
---
Ilustração:
Inferno. Anônimo. Século XVI. Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa.
*
Jornalista,
poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em
História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como
a sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do
Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e “A
República” (Natal). Tem 11 livros publicados, entre os quais o
recém-lançado “Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).
Poema completo que está mais para Inferno. As pessoas que não foram batizadas ficam no Limbo, onde não sofrem e nem são felizes. O tempo lá é eterno. Minha mãe, que era obstetra, batizava todos os recém-nascidos em dificuldades, com medo de que morressem e fossem jogados lá.
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