Outro
movimento
* Por
Xênia Antunes
De
ti quero o fogo que me queima as asas
a
boca de tantas juras a tecer enganos
quero
em ti o equívoco olhar e perder-me
no
corpo teu de vagar cigano
Te
quero acima das coisas e dos tempos
ainda
que me engane, pare e me entregue
e
me engane e te queira e tudo cresça
e
tudo avance
te
quero acima das coisas e dos tempos
Nesse
doce sangrar crava-se a lança
que
me engana e me alimenta de fruta,
flor
e pedra,
o
fogo-fátuo da pele a te querer como antigamente
confinada
nesse abraço forte como se fosse a morte
Das
noites ao nascer das manhãs
vivo
a te querer vivo pois tenho motivo
e
quantas vezes, patética, te disse
querer-te
mais, querer mais forte, querer mais fundo
Te
quero e por isso estou a antecipar
a
cor, o gesto e todo o mar que vem depois
Sou
o pasto e o caçador
sem
pedir explicações,
apenas
movimento
Apenas?
* Poetisa, jornalista,
artista plástica e fotógrafa de Brasília. Autora do livro
“Exercícios de Amor e Ódio”.
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