Do alto
* Por
Gabi Cuzzuol
Bonita demais pra viver tão longe;
Esperta demais pra chorar baixinho;
Guerreira demais pra passar batida;
Forte talvez para lutar com bala;
Grande quem sabe, tentar de novo;
Honra, na vez de encarar assédio;
Mas veio a fome, o lodo, o pouco;
Gritou mundo, clamou sempre; pediu todo;
E veio o nada, o duro, a faca;
Voltou tonta, violada, sedenta;
Rasgada;
Passou fome, gemeu frio,
Perdeu todo o estio;
E do alto do morro, diante da santa;
Crente de toda, tremendo de ponta;
Pediu ao Alto, do Alto, pro Alto,
Uma chance de, quem sabe, ficar de pé.
Bonita demais pra viver tão longe;
Esperta demais pra chorar baixinho;
Guerreira demais pra passar batida;
Forte talvez para lutar com bala;
Grande quem sabe, tentar de novo;
Honra, na vez de encarar assédio;
Mas veio a fome, o lodo, o pouco;
Gritou mundo, clamou sempre; pediu todo;
E veio o nada, o duro, a faca;
Voltou tonta, violada, sedenta;
Rasgada;
Passou fome, gemeu frio,
Perdeu todo o estio;
E do alto do morro, diante da santa;
Crente de toda, tremendo de ponta;
Pediu ao Alto, do Alto, pro Alto,
Uma chance de, quem sabe, ficar de pé.
* Jornalista, professora de
literatura e pós-graduanda em Jornalismo Cultural pela PUC-SP.
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